quinta-feira, 28 de julho de 2011

13 – Termostato

13 – Termostato

MINHA MENTE TEM UM CONTROLADOR DE SOFRIMENTO.

Era como um botão giratório de um termostato. Ao redor dele sempre teve quatro números: 0, 1, 2, e 3.

Durante toda minha vida, o ponteiro do botão sempre oscilava entre o 1 e 2. Só alcançava o número 3 poucas vezes: no dia da separação dos meus pais, quando Edward foi embora e no parto de Renesmee.

Nunca ele tinha passado disso, primeiramente porque eu não sabia que tinha mais níveis de dor. Segundo porque eu nunca tinha sentido o que eu sentia agora.

Eu não sabia o que era o vazio, não daquele jeito. Já tinha sentido o vazio de várias maneiras, mas nunca, nunca daquela forma.

Se eu estivesse sã, pensaria que eu estava louca, pois não sentia nada. Oca? Era como estar caindo de um precipício que nunca tem fim; não tem dor, medo, aflição, coisa alguma. Eu estava morta de verdade, isso sim é a extinção, nada do que eu vivi se igualava aquilo.

Tinha plena certeza de que o ponteiro beirava a casa do número 6.

Pensava de maneira rápida, mas até que um momento eu caí em mim. Dois vultos pretos me seguravam para que eu não despencasse no chão, como se eu fosse me despedaçar no caso da queda. Eu acho que é impossível descrever como eu estava me sentindo, mas...

- Bella! Bella, por favor, acalme-se – o rosto dele, ou o que eu consegui distinguir de rosto, estava em choque, mas parecia mais preocupado comigo naquele momento.

- Edward! Renesmee, Renesmee, ela foi... não! – uma fúria se propagou pelo meu corpo que fazia em me sentir quente.

- Meu deus! Vou ligar para Alice agora. Se acalme, por favor – com uma voz arranhada ele pegou o telefone rapidamente e já ligava para Alice – Ajude-me, Claire. Alô? Alice?

- Edward, graças a deus – o telefone estava no auto-falante e a voz de Alice estava horrenda – Edward, onde está Bella?

- Está aqui do meu lado.

- ONDE ELA ESTÁ? – eu estava gritando desesperadamente, com uma sensação de que meu estômago tinha se descolado e caído no chão.

- Bella, por favor, acalme-se. Venha agora correndo para cá. Diremos tudo a vocês quando chegarem. DEPRESSA! Edward, não a deixe... – não cheguei a ouvir o final. Corri em disparada para a casa sem me importar em deixá-los estarrecidos e imóveis. Corri como nunca na minha vida, sem olhar para trás, só pensando em chegar à casa de Carlisle e ver minha filha.

Foi uma corrida longa e frustrante, cada segundo parecia um século; eu queria chorar, afogar-me em lágrimas; tinha certeza que ajudaria e a falta desse privilégio humano me fez ficar com mais raiva e tristeza.

Quando vi a enorme casa branca, derrubei a porta, sem ao menos me importar com aquilo, e vi todos os Cullen com cara de pânico – menos os rostos de Carlisle e Emmett.

- Alice, onde ela está?!

- Bella, por favor, acalme-se – ela repetiu pela terceira vez, e isso fez com que eu tivesse vontade de gritar.

- Não, não me peça para eu me acalmar!

- Jasper, rápido! – eu entendi o que ela queria dizer. Senti uma onda de calor subir pelo meu corpo até chegar ao meu cérebro. Percebi que tudo se acalmava, a cor do ambiente se tornava mais clara, os rostos estavam mais ní­tidos, mas minha adrenalina não parava de subir.

- O-obriga-ada Jaspe-er – gaguejei, meio sem jeito. Eu sabia que isso era melhor para todos nós; poderíamos tratar mais claramente do assunto.

Alice não falou enquanto Edward estava ausente. Estava com raiva de tudo, da espera, do silêncio. Por que Edward não vinha correndo, raios!

- Ela está surtando... – murmurou Jasper para Alice.

- Bella, acalme-se – disse Edward entrando pela porta arrombada com cara de pânico; suas linhas faciais estavam rígidas. Claire estava tão atordoada que nem falava.

- Tudo bem Edward – falou Alice – Jasper já a acalmou.

- Alice, nos conte tudo.

- Bem, foi tudo ordinário – ela relatava de modo rápido – Chegamos e Jacob estava aqui esperando por Nessie, nada de diferente. Ela foi para a cabana de vocês com Jacob, dizendo que estava cansada da viagem. Jacob passou por aqui dizendo que ela havia adormecido, e que ia até La Push cuidar do pai. Rose foi até lá chamá-la para irmos ao cinema, mas ela disse que ia depois com Jacob. Nessie estava demo­rando a nos encontrar e Rose foi atrás dela...

- Quando cheguei lá – interrompeu Rose, com uma expressão de de­funto – ela não estava lá, e tinha rastros de um vampiro e de dois...

- Dois? – pressionei.

- Lobisomens – respondeu Alice.

- Co-como assim lobisomens?

- Os reais lobisomens, não como Jacob.

- Carlisle, Emmett e – ela fez uma pausa – Jacob estão atrás dela.

- Jacob? Como ele reagiu?

- Entrou em desespero, se transformou em lobo e disparou para a flo­resta. Carlisle foi logo falar com ele, disse que era para ter calma, que resolve­ríamos tudo. Foi muito difícil; vocês o conhecem, mas no fim, ele aceitou. Convocou o bando e estão agora além da fronteira atrás deles, já que esse vampiro e esses lobisomens souberam muito bem como despistar.

- Mas, não temos ideia que quem tenha feito isso? – perguntou Edward.

- Bella, nós iremos encontrar Nessie, não se preocupe – falou Esme.

- Meu deus; como deixei isso acontecer?

- Não é sua culpa Bella – Esme me consolou – Você não poderia fazer nada.

- Claro que poderia – falei calmamente – Nunca iria deixar que isso acon­tecesse se estivesse aqui...

Aquilo meio que, sem querer, fizesse a culpa se projetar à Alice, pois foi dela a ideia de sair da cidade e não voltarmos todos juntos.

- Desculpe-me Bella – pareceu que ela leu meus pensamentos. Não era Edward que fazia isso? – Foi ideia minha tirar vocês da cidade e...

- Não há o que lhe desculpar Alice. Se tivermos que botar a culpa em alguém, deve ser em quem a levou – Edward contradisse com a voz arrastada. Nunca o vi com aquele rosto duro, como se seu interior tivesse sido arran­cado.

- Como pode? Eu deveria ter tido uma visão... – racionalizou Alice.

Aquela frase me veio como um tsunami. Eu perdi minha menina.

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