9 – Dourado
- Eu sei, eles são assustadores – ele disse depois de ler minha mente – Bem, quando Eleazar ainda estava na guarda dos Volturi, Aro foi punir uns vampiros que tinham criados crianças-mortais, quando essa moda estava no auge. Quando voltava, ele parou em uma pequena cidade para se alimentar; foi aí que ele encontrou duas pessoas que se destacavam: Jane e Alec. Eleazar tem o dom de identificar quais são os dons de outros vampiros, e até de quais serão os dons de humanos quando eles se transformassem em vampiros. Apesar de que, para descobrir isso em relação aos humanos ele tenha que fazer muito mais esforço, ele viu os poderes incríveis que os dois teriam assim que transformados. Aro imediatamente ficou abismado e os quis quase imediatamente, mas foi cauteloso e decidiu deixá-los crescer; voltou à Volterra e esperou, porém, ele não contava com a chegada de um navio genovês na Europa vindo do Oriente, trazendo uma das doenças mais destruidoras do século: a Peste Negra. Essa doença, agora chamada Peste Bubônica, chegou em 1347 na Europa e matou quase um terço de toda sua população; ela é causada pela pulga de ratos contaminados e pelo contato com pessoas infectadas, e na época, a Europa era um lixão. A higiene era totalmente deixada de lado e as pessoas, até as mais ricas, dormiam todas juntas, o que facilitou a proliferação da doença, que era letal. Quando aconteceu, Aro desesperou-se e correu até a cidade, encontrando a devastação, mas Jane e Alec eram os únicos que não estavam contaminados. Os remanescentes iriam queimá-los na fogueira por bruxaria, acusando-os de espalhar a praga, então Aro não teve escolha, matou todos da vila e transformou-os mesmo jovens. Os dois, desde humanos, já gostavam de fazer os outros sofrerem; Jane gostava da dor do outro, enquanto Alec gostava da inutilidade, o poder dos humanos de não conseguir ou falhar. Seus dons devem banhá-los de prazer a todo o momento. Eleazar até hoje se responsabiliza por eles existirem, o que é uma besteira, ele não teve culpa, era o trabalho dele...
- É incrível que Aro sempre tenha os vampiros certos para tudo que ele quer.
- É, por isso que ele é tão poderoso. Ele conseguiu juntar os mais poderosos vampiros para se aliar a ele, e é isso que me faz temê-los.
- Como assim?
- Ora, Bella, nós temos poderes incríveis; Alice com suas previsões seriam utilíssimas para Aro, ele poderia saber quando atacar no momento certo e o que aconteceria; eu tenho o poder de ler mentes, o que facilitaria em saber se pessoas estão mentindo, ou se estão armando uma rebelião, por exemplo; e você Bella, seu poder é incrível, você pode proteger todos os Volturi contra ataques psíquicos, ou seja, de quase todos os ataques de vampiros, já que a maioria dos dons está relacionada com a mente; com poucas exceções. Benjamin, por exemplo, que controla de forma física o fogo, a água, o ar e a terra; então você seria de muito valor em combates, como aconteceu quando eles vieram buscar Nessie.
- É verdade, isso seria um pretexto para eles virem aqui.
Aro é, sem duvida, o vampiro mais poderoso que existia. Não apenas por ter um dom incrivelmente forte, mas também por ter aliados certos, no lugar certo, na hora certa. Enquanto pensava nisso, Edward me olhou com um rosto triste e eu o abracei.
- Não precisamos nos preocupar com isso – tranquilizei-o, mesmo precisando que alguém me tranquilizasse.
- Bella, você não sabe o quanto eu preciso de você.
- Edward, você sabe o quanto eu preciso de você, leia minha mente.
- Eu sei, parece que nascemos um pro outro. Eu tive que esperar noventa anos para conhecê-la, e eu esperaria mais noventa por você.
- Ai, depois disso, parece que você teve um imprinting por mim – eu disse e Edward me olhou com um sorriso lindíssimo que só ele sabia fazer. Era aquele sorriso que me fazia viver. Eu encostei meus lábios nos deles e eu tinha certeza de que eu tivera um imprinting.
- Eu sei o que é isso – disse ele depois que paramos aquele momento maravilhoso – Você é meu chão, Bella, meu oxigênio, meu tudo. Antes de você, meu mundo era um nada, como se eu fosse um vegetal: nutria-me e só. Eu queria sentir dor de verdade, medo de verdade, frio de verdade, pavor de verdade; você é minha válvula de escape. Tudo que eu almejo, eu consigo quando estamos juntos. Dor, frio, medo, alegria, tristeza, fome, cansaço, aflição, amor. Tudo. Isso é viver. E eu sou grato pela sua existência. Eu era uma rocha, fria, dura e seca e você que trouxe meu sol, minha alma. E eu quero dividir tudo o que eu viver com você, dar tudo o que eu sou para você. É isso que me faz querer está aqui hoje: você. Eu percebi que meu indestrutível esqueleto de adamantiun era apenas ferro retorcido antes de te conhecer. Nunca saia da minha vida, eu só a quero.
Depois daquilo eu precisava dizer mais alguma coisa? Se eu pudesse, se eu tivesse forças, eu começaria a chorar. Meu coração palpitaria, meus pulmões falhavam, meu cérebro explodia em êxtase. Tudo o que ele falou era recíproco, e tinha uma força que ninguém poderia destruir. Eu só queria agora é estar com ele, só para mim, em uma perfeita união, entrelaçados, juntos, para sempre. Isso tinha sido a coisa mais linda que eu já ouvira na vida e fiz questão de guardar tudo, cada sílaba, em uma parte especial da minha mente.
- Agora, dessa história, eu sou o cordeiro.
- Venha, e eu não sou sua leoa – brinquei, com uma voz horrível, arranhada, com aquela frase que ele dissera quando nos conhecemos.
- Eu acho que sim – ele riu com a reação. Edward era o que eu precisava, e nem um milhão de imprintings no mundo nos faria ter uma ligação daquele jeito.
Depois de quebrarmos criado-mudo à direita da nossa cama, fui perceber como o quarto é luxuoso. Tinha quadros com molduras tão grossas quanto às colunas das paredes. Acho que o quarto tinha o tamanho do nosso chalé em Forks. Tinha um guardarroupa enorme de mogno entupido de roupas, recheado pela Alice, claro. Um lustre de cristal, pelo o que via, ornamentava o teto luxuosamente. O tapete persa era de um vermelho vivo, quase quente, que fazia uma mistura de cores com o verde das paredes tranquilas. Apesar de tudo aquilo não parecer nada com a Ilha de Esme, o ambiente, o clima, me faziam sentir tudo o que eu, humana, senti. Passei a mão pela minha barriga lembrando-se do dia que Renesmee me tocou pela primeira vez, ainda lá dentro.
Edward estava esparramado pela cama inteira; ainda bem que ele é vampiro, caso contrário, ele estaria em pedaços. Suas costas largas estavam viradas para cima enquanto eu passava a mão por elas.
- Se fosse possível, eu estaria sentindo cócegas.
- Seu corpo é tão perfeito – falei como se não tivesse ouvido o que ele acabara de dizer.
- Você que é perfeita. Incrível como depois que você se transformou, ficou mais linda do que antes, o que eu achava impossível.
- Fico imaginado como era você antes de se transformar...
- Não era tão imponente como agora, é claro. A transformação faz com que nos tornemos naturalmente atraentes. Você sabe, para aproximarmos nossas “presas” – Edward disse com um ar sombrio.
- É. Eu sei. Será que alguma das concorrentes do Miss Universo pode ser uma vampira? – brinquei e Edward riu.
- Realmente, agora que você falou, pode sim. A vencedora do ano passado era tão linda que parecia mesmo uma vampira de tão branca e charmosa – rimos alto com aquela conversa sem sentido.
- Meu deus, o que foi isso? Miss Universo?
- Você com certeza seria uma Miss Universo – Edward como sempre um gentleman.
- E você o Mister Universo – falei e nos beijamos mais uma vez.
- Esse quarto é... enorme, para não dizer exagerado.
- Não, ele é mesmo exagerado. E não só o quarto, a casa inteira.
- A ilha...
- Ai, não me lembre que tenho uma ilha que pareço que vou explodir.
- Ora, Bella, muitas pessoas dariam tudo para ter uma ilha.
- Pois vamos até o hospício buscá-las – Edward fez uma cara de ironia gigantesca com o que eu disse e nós rimos - Ai, Edward, estou com sede, vamos beber?
- Também estou, vamos – disse e saímos, finalmente, da cama em direção à cozinha.
Foi um pouco difícil achar a cozinha naquela casa imensa. Mas quando a encontramos nos deparamos a uma luz dourada altamente reluzente. Tudo na cozinha era dourado-berrante. O enorme armário que se encontrava na parede oposta – de uma madeira lustrosa e detalhes dourados – estava apenas de enfeite, pois não víamos nenhuma serventia. O fogão era enorme, com brilhantes panelas em cima, douradas, claro (quem já viu panelas douradas?). A geladeira parecia um guardarroupa devido ao tamanho descomunal e luxuoso. Uma bancada de granito bem escuro ficava no meio daquele “cofre” (tinha mais coisas douradas que a própria casa da moeda). Os potes com sangue de urso que Alice deixara estavam dentro de um forno microondas tamanho “família” (parecia mais uma televisão de vinte e nove polegadas – Edward riu com essa conclusão). Lá, estavam mais vários copos (dourados, para combinar com a cozinha) que nos saciariam até que voltemos para Forks. Gostávamos de sangue quente, que parecia com a temperatura corporal da presa, e nos saciariam muito mais. Era como, ainda humana, gostava mais de tomar água gelada. Parecia que matava mais a sede.
Passamos o resto do dia – e da semana – nos divertindo. Nadamos em águas profundas, fizemos caminhada (não uma caminhada, a ilha não era assim tão grande), assistimos a uns dez filmes e fizemos tantas outras coisas que se eu ainda fosse humana, estaria morta. Tentei até caçar um tubarão. Bem, eu tentei, quem conseguiu foi Edward. O tubarão nem era adulto, mas ele se vangloriou tanto que eu tive que aturar calada. O sangue era tão diferente. Salgado. Consegui caçar um peixe bem grande, não era uma exímia nadadora, ao contrário de Edward, com um século de prática, mas em comparação com o tubarão dele, parecia mais uma sardinha.
Até para caçar tubarões, oh céus, essa ilha me deixou louca!
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