quarta-feira, 29 de junho de 2011

8 – Fratricida

8 – Fratricida

- MAS, QUEM CUIDARÁ DA ILHA QUANDO NÃO ESTIVERMOS AQUI?

- Eu li na mente de Alice que ela já cuidou disso, obviamente. Temos uns empregados que só chegarão daqui a uma semana. E ela meio que tentou esconder uma parte disso, mas consegui pegar algo sobre “eles vão ficar de cara no chão quando virem a filha deles”.

- Ai... Ela deve ser uma mutante de duas cabeças, só pode – Edward riu; mudei de assunto quando me lembrei de Gustavo, o brasileiro que cuida da Ilha de Esme – Já estou com saudades de Renesmee – era como se um va­zio estivesse em meu peito. Não um vazio que doía, mas que incomodava. Estivera longe de Renesmee pouquíssimas vezes, mas sentia que existia uma ligação entre nós, que mesmo que estivéssemos longe uma da outra, era como se estivéssemos juntas.

- Também estou. Mas devemos deixar Nessie viver, sem que esteja sob nosso total controle; além do que ela não precisa da nossa guarda constante.

- Eu sei, mas ela é nossa filha, e eu tenho esse instinto de proteção.

- Todos nós temos. Principalmente as mães, contudo, deixe Nessie correr, ou no caso, deixe nosso Monstro do Lago Ness nadar – disse Edward usando uma figura de linguagem ridícula.

- Pare com isso, odeio esse apelido e muito mais ter que lembrar o que ele significa; tinha que ser coisa do Jacob. E vocês ainda o apóiam.

- Tudo bem, desculpe – ele disse rindo. Passamos um tempo em silên­cio e eu percebi que ele olhava para o teto; sem pensar eu olhei também, e pela milésima vez no dia, entrei em choque.

- Oh, meu deus! Eu não acredito! – eu queria voltar no tempo e não ter visto o que estava pintado no teto. Achei que os Cullen tivessem roubado o teto da Capela Sistina, pois no teto na nossa nova casa estava pintada A Cria­ção do Homem de Michelangelo.

- Ah, isso. Tinha gravado em minha mente que, se possível, deslocaria seu pescoço, só para você não ver isso – disse Edward, mas não tão surpreso quanto eu.

- Isso é inacreditável! Eles ressuscitaram Michelangelo e o fizeram vir a uma ilha no meio do Panamá para pintar isso de novo?! – eu não acreditava em meus olhos.

- Coisa da Alice, claro.

- É claro que é coisa da Alice! Meu deus era só o que faltava. É a junção do Coliseu com a Capela Sistina!

Edward deu um ataque de risos e eu tive que acompanhá-lo. Alice e seu humor-negro. Acho que isso é de família.

- O que você está pensando? – perguntei depois do nosso ataque de risos e um momento de silêncio.

- Eu estava pensando, não lhe dá nem um pouco de ciúmes de Nessie com Jacob? – perguntou Edward com uma cara de dúvida.

- Bem, um pouco – virei o rosto e lembrei-me deles conversando intima­mente. Senti Edward colocar seu braço em minha volta e dizer:

- Ah, já entendi – ele baixou os olhos – Você tem ciúmes de Jacob com Renesmee.

- Também tenho – assumi –, mas, pelo menos, ele está com alguém que o ama de verdade, e vice-versa.

- É, e vice-versa – ele repetiu – Nossa pequena não é pequena; tanto psicologicamente quanto fisicamente.

- É verdade – rimos.

- Será que ela vai se casar com aquele cachorro? – Edward riu.

- Espero que sim, se for para ser com alguém, que seja com ele. Queria entender essa coisa de imprinting.

- Eu também queria, mas pelo o que eu vi na cabeça de Jacob, é como se a gravidade da terra não fosse mais ao centro, e sim, em Nessie. É uma coisa muito intensa que significa tudo na vida dos dois. Acho que Marcus fica­ria tão impressionado com essa força que nem iria saber controlar seu poder, mas eu tenho certeza que ele se matará quando vir nosso relacionamento agora...

- Tenho plena certeza e torço por isso – nós rimos - Os Volturi não te preocupam mais? – especulei.

- Bem, não muito; eles não têm nada conosco. Não fizemos nada de errado, você já é vampira e eles já sabem muito bem disso. Mas como você já viu, eles criam e recriam suas próprias leis, então, se nós respirarmos eles po­dem dizer que respirar é proibido para os vampiros, pois nós não precisamos de oxigênio, por isso, todos nós seremos mortos – ele disse com um tom de ironia incrível e nós rimos – Acho que só Tia escaparia dessa lei, ela nunca fala!

- É verdade; eu acho que eles não deveriam ter esse poder todo, eles são injustos e sádicos. Mas, Edward, eles sempre foram a realeza?

- Na verdade eu não sei bem. Sei que Vladimir e Stefan, do clã romeno, eram os Volturi, mas a 1500 atrás, os atuais Volturi os derrotaram e derruba­ram seu castelo. Depois da rebelião, aparentemente os dois foram os únicos sobreviventes de seu clã. Quando eu me tornei vampiro, e Carlisle me contou sobre eles, Aro já era o vampiro mais poderoso e temido, e era um Volturi. Mas eu soube vagamente que, na época dos romenos, havia um vampiro que estava acima dos Volturi, uma vampira na realidade.

- Quem?

- A Baronessa.

- Baronessa?

- Esse é o título de baronesa em italiano.

- Ah. Nossa. Monarquia não estava meio que “democratizada”?

- É – riu-se Edward – Seu nome era Eliza­beth; era uma vampira muito poderosa e, em comparação com os Volturi, muito mais justa. Ela tinha um dom, mas eu não sei qual era e qual fim ela le­vou. Dizem que é a vampira mais velha que existe. Ela simplesmente desapa­receu e Aro ficou como o vampiro mais poderoso do nosso mundo.

- Nossa, que droga. Será que ela morreu?

- Ninguém sabe, ela simplesmente sumiu há muito tempo atrás. Todos do mundo dos vampiros tiveram que aceitar Aro como líder supremo; Carlisle não gosta muito, mas, fazer o quê? E Aro nunca comenta sobre ela, uma espécie de tabu. Carlisle acha que teve sorte por fazer amizade com Aro, a princípio...

- Humm; falando nos Volturi, por que Marcus é tão frio, apático? Ele nunca fala e tem sempre aquele ar de tédio...

- É outro exemplo do sadismo de Aro – ele começou a contar uma histó­ria.

Aro tinha uma irmã biológica, Didyme. Quando ele foi transformado e descobriu seu incrível poder, queria aliados tão fortes quanto ele, então, transformou a irmã sem seu consentimento. Didyme tornou-se uma vampira e Aro ficou absolutamente desgostoso, pois o poder de Didyme era ínfimo: ela carregava uma aura de felicidade que fazia as pessoas se apaixonarem por ela. Aro fez vista grossa, esperando que um dia esse poder fosso útil, mesmo sabendo que aquilo era tremendamente improvável. Quando os Volturi de hoje se reu­niram, Marcus se apaixonou por ela, com o amor real e recíproco; Didyme amava-o também. O amor era tão grande e forte, para você ter uma ideia, quando Marcus usava seu poder perto de Didyme, ele falhava, tamanha era a relação deles. Com o tempo, o interesse com os Volturi de ambos acabou. A felicidade perdurou por muito tempo, mas Aro, que sempre aceitou aquele relacionamento, não por completo, mas nunca tentou impedir, revoltou-se quando descobriu que Marcus e Didyme decidiram fugir para ficarem juntos. Aro tinha duas escolhas: sua irmã, que saíra do mesmo ventre que ele, e que amava, ou Marcus, que era seu amigo de justiça, e que tinha um dom utilís­simo e muito mais importante do que o da irmã. Ele preferiu ficar com o amor ao poder. Arquitetou um simples, porém engenhoso plano: disse à irmã que eles deveriam visitar o túmulo da mãe, morta há séculos. Didyme aceitou de prontidão e eles fizeram uma pequena viagem até a sepultura da mãe. Quando chegaram ao adro, Aro matou a própria irmã com a ajuda de um comparsa, Félix, mais especificamente – Edward fez cara de nojo quando fa­lou o nome de Félix – Marcus ficou tão devastado quando soube da notícia que tentou se matar, o que Aro não tinha planejado. Um fratricida repugnante.

“Então, é aí que entra Chelsea. Aro usa até hoje o poder dela, que é desfazer os laços entre as pessoas, para manter Marcus na liderança dos Vol­turi, quebrando o laço entre ele e Didyme, apesar de que nem mesmo o poder de Chelsea possa fazer Marcus ter veemência com o poder, por isso, ele é daquele jeito: ele não quer mais viver, mas ao mesmo tempo, ‘quer’ ficar como um Volturi”

- Eu não acredito – eu estava pasma com a mente doentia de Aro.

- Já que ele tem o poder, ele pode tudo. E nós não podemos fazer nada. É por isso que Charlie não pode ficar sabendo de nada; isso seria um maravi­lhoso pretexto para os Volturi.

- Eu nem quero pensar nisso. Como assim o poder de Marcus falhava?

- Já que o poder dele é sentir a força dos relacionamentos ao seu redor, quando ele estava perto de Didyme, seu poder entrava em pane. Ele ficava cego e não con­seguia analisar o próprio amor, tamanho era sua intensidade.

- Nossa, ele deve ter ficado arrasado quando Didyme morreu – definiti­vamente, Aro era sádico – Mas, já que eles têm Chelsea, que pode destruir laços entre as pessoas, por que eles não desataram os nossos quando es­tivemos em Volterra?

- Eu acho que é porque eles queriam que nós quiséssemos estar com eles. Não é a mesma coisa querer e ser induzido a querer.

- É verdade, seríamos como Marcus – a cada dia eu me arrepiava mais só de pensar em Aro.

- Bella, mudando de assunto, por que você não tira seu escudo? Já aca­bou tudo o que Alice preparou e você não precisa esconder nada.

Eu não tinha escapatória, não havia motivos para continuar com aquele capacete invisível ao redor da minha mente. Pra falar a verdade, não sabia o porquê de todo aquele drama vindo da minha parte. Tirei o escudo e Edward logo começou a ler minha mente. Eu pensava nos Volturi e seus magníficos dons.

- Obrigado, é estranho ficar ao lado de alguém que eu não consiga ler a mente; é como se a pessoa fosse muda para mim. Já basta o seu tempo como humana. Desculpe por isso, mas já faz parte de mim.

- Tudo bem, Edward. Agora me fale mais dos Volturi.

Nenhum comentário:

Postar um comentário