terça-feira, 21 de junho de 2011

5 – Rótulo

5 – Rótulo

O VOO NOVA YORK-MIAMI TAMBÉM FOI TRANQUILO, MAS MUITO MAIS diver­tido. Quando chegamos ao aeroporto, várias pessoas nos olhavam descarada­mente, apontando e comentando. Edward, que tira suas brilhantes ideias sei lá donde, chegou perto de um grupo com as expressões maravilhadas.

- Oi, podem-me dizer onde ficam os estúdios de gravações? - ele per­guntou a um homem alto e bronzeado que me encarava.

- É-é melhor você perguntar no balcão de informações... Vocês são ato­res? – seu olhar passou de Edward até mim.

- Sim, somos. Estamos meio perdidos, nossa equipe teve um imprevisto e nós teremos que nos virar...

- É impressão minha, ou... vocês já estão maquiados? – perguntou uma mulher bem bonita ao lado do rapaz.

- Sim – Edward riu olhando para mim. Entendi que era para rir tam­bém.

- Mas, eu nunca vi maquiagem assim, tão... marmórea.

- Ah, você não tem ideia do que nossos maquiadores são capazes. Essa maquiagem até brilha no sol! – eles abriram a boca – Uma nova maquiagem, e eu nem deveria está falando isso... Bem, obrigado.

Afastamo-nos do grupo deixando-os com a cara no chão. Não acredi­tava o que Edward tinha feito. Ainda consegui escutar “Se aquela mulher esti­ver no filme, eu não perco por nada!”.

- Edward! O que foi aquilo? – guinchei em meio a um ataque de risos.

- Queria experimentar essa desculpa pelo menos uma vez, e funcionou!

- Meu deus, eu não acredito!

- Tomara que um cineasta nos veja, seria um filme ganhador do Oscar de Melhor Maquiagem, pelo menos!

- Eu seria a protagonista, claro – disse Renesmee.

- Se depender daquele rapaz, será sua mãe.

Eu juro que foi uma das situações mais estranhas que eu já tive. (Eu, atriz?)


O voo do Panamá demorou um pouco mais do que o de Miami; acho que foi pela minha abstinência de festas – feita com todo livre-arbítrio. Dessa vez Alice tinha superado tudo o que ela fez até hoje, e isso me fazia sentir como se eu fosse uma prisioneira psico­pata sendo carregada para sua deliciosa sentença à cadeira elétrica.

Quando chegamos ao Panamá, ficamos parados esperando alguma coisa acontecer (talvez Edward dissesse que esperávamos pela “produção” do filme, oh céus!), até que o celular de Edward tocou novamente.

Peguem o barco nº 4132 no porto. Comprem um mapa, perguntem a alguém, peguem um táxi, não importa, mas vão para lá imediatamente. Ainda bem que vocês vieram com roupas compridas, aqui “tem sol”.

Alice

- Meu deus! – isso estava parecendo uma perseguição; nós correndo pelo mundo atrás de uma festa sem noção. Eu estava completamente louca. Não perdoarei Alice nem quando o sol explodir.

- Vamos fazer o que Alice disse; pegaremos um táxi e iremos ao porto.

Fomos até uma das lojas de suvenires para comprar um mapa e chamar um táxi, agrade­cendo por Edward saber falar espanhol. Depois de comprar o mapa, pegamos o táxi e fomos ao porto. Vi o taxista murmurar alguma coisa e Edward sus­surrou “Ele não está entendendo como nós viemos para o Panamá com rou­pas compridas. Aqui faz muito calor mesmo”. Acho que entendi ele falar algo meio “temos uma cena para fazer no porto”. Aquilo estava me cansando, porém, não podia deixar de admitir que era hilário. Não demorou muito e logo chega­mos. Edward abriu a carteira e tinha notas de uma moeda que eu não conhe­cia; deveria ser a moeda local. Alice tinha pensado em tudo mesmo.

Quando chegamos ao porto, procuramos o barco nº 4132. Procuramos não, fomos até ele, porque só tinha um barco no porto – estranho; igualmente como todo o resto. Edward foi pilotando o barco enquanto eu e Renesmee fomos olhando a paisagem. Realmente, o Panamá era muito bonito, exótico. O sol brilhava com uma intensidade incrível, o que fazia tudo ter mais cor, mais vida. O ambiente era muito agitado, caliente.

Em cima do painel, estava uma coordenada para Edward seguir. Pergun­tava-me se ele não sabia de tudo isso desde o começo, o que faria minha raiva aumentar ainda mais.

Todos os Cullen estariam lá, nos esperando com nossas caras de assusta­dos sem saber o que fazer, depois de rodar a quase toda América e se­guindo instruções via celular. Rose e Emmett também estariam lá, voltando da “faculdade”. É incrível como eu e Rose nos aproximamos desde que Renesmee nasceu. Ela sempre teve vontade de ser mãe, mas como vampiras não podem ter filhos, ela meio que se supre com Renesmee. Certa vez eu perguntei para Carlisle o porquê de vampiras não poderem ter filhos e sobre outras curiosidades vampiras.

- Bella, as vampiras não podem ter filhos por uma simples vantagem que nós temos, que no caso, se torna uma desvantagem. Ela não tem espaço para o filho se desenvolver. A pele de todos nós é dura, lisa e não se expande, ou seja, o feto morreria sem espaço – disse Carlisle, de modo não tão clínico – Nosso veneno é como o sangue dos humanos. É ele que, a partir da nossa alimentação, nutre nosso corpo e o sangue humano é que traz esses nutrien­tes. Então, um feto pode ser gerado a partir de Edward, que tem os esperma­tozóides, e você, que tinha espaço e óvulos maduros. Mas, você viu os pro­blemas que essa gestação trás. O sêmen humano está presente nos vampiros, de uma forma diferente claro, por isso se pode combinar com um óvulo humano.

- E por que não existem mais híbridos por ai?

- Porque é da natureza dos vampiros matarem humanos. É quase nula a possibilidade de um vampiro se aproximar de um vampiro, não importa que forma seja essa, sem querer matá-lo.

- Então, obviamente, não existem vampiros que nasceram vampiros, certo?

- Isso, eles só são transformados. Tirando o caso de Renesmee, que não é tecnicamente uma vampira, só meio vampira.

- Mas, ela poderá ter filhos? – especulei.

- Provavelmente sim. O lado humano dela é misturado com o lado vam­piro. Então, quando ela ficar grávida, terá uma pele expansível, mas super resistente. Se for com um vampiro, deverá ser como a mãe, híbrida. Já se for com um metamorfo...

- Não sabemos o que poderá gerar – completei, pensando no imprinting do Jacob. Isso era meio estranho.

- Nunca vi uma mistura de híbrido humano-vampiro e metamorfo. Se­ria um “vampimorfo” – brincou.

- É – eu ri – Um vampiro capaz de se transformar em morcego, que previsível – Carlisle explodiu em gargalhadas – Fale-me mais sobre nossa anatomia.

- Nós somos em geral parecidíssimos com humanos, por isso podemos nos misturar com facilidade – ele falou com euforia –, mas nossos cérebros são bem mais desenvolvidos. Temos muito mais neurotransmissores que os humanos, e menos serotonina, que nos dá esse comportamento agressivo desde quando “nascemos”. As substancias químicas que regulam o período do sono não existem em nós, por isso não dormimos. Nossos músculos têm um nível de fibras musculares altíssimo, que nos permite correr muito rápido e ter muita força. A pele tem continua protegendo o corpo, apesar de que nossas células epiteliais sejam reflexivas, por isso brilhamos ao sol. Um fluido semelhante ao veneno da nossa boca funciona como um lubrificante entre as células, o que torna possível o movimento, e este líquido é muito inflamável, por isso, só morremos se queimarem nossas células. Não choramos porque as lágrimas são fundamentais para lubrificar os olhos, evitando danos a ele, mas o que poderia causar tal problema aos olhos vampiros? Nós somos como as cobras: temos o veneno propriamente dito na boca para incapacitar as presas.

“O oxigênio, proveniente do sangue humano, é transportado pelas gêmeas vampiras da hemoglobina. Só respiramos para capturar os cheiros do ar e rastrear nossas presas.

“Durante nossa transformação, o veneno faz o trabalho de queimar suas células humanas, e ironicamente, só somos destruídos queimados. Du­rante essa “queima”, as células transformam-se em super células, que garan­tem nossa resistência.”

“Você sabe por que nossa garganta arde tanto quando estamos com sede?”

- Não, para falar a verdade.

- Eu tenho uma teoria bem fundada sobre isso, já que nunca consegui estudar a garganta de um vampiro vivo. Bem, os seres humanos têm pequenos pelos na garganta, que servem como filtros para purificar o ar. Quando nos transformamos, esses pelos se tornam mais fortes já que não precisamos respirar, eles adentram na garganta, e, quando estamos com sede, esses pelos saem da garganta e causam inflamação. Quanto mais tempo passa, essa inflamação aumenta e nos causa mais dor e agonia. O sangue humano é uma espécie de lubrificante, que acalma nossa garganta e faz com que esses pelos voltem para nossas gargantas, acabando com a inflamação.

- Interessantíssimo. E bizarro – estava adorando me aventurar por entre a história vampira. Mas onde estaria o topo no meio de tudo isso? Chegarei lá...

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