4 – Escultura
LEVANTEI-ME DO GRANDE SOFÁ ONDE ESTAVA LENDO “A TEMPESTADE” de William Shakespeare. Parecia mesmo que viria uma tempestade na minha vida, tanto literalmente quanto figurativamente. Literalmente porque o dia estava nublado, como sempre. Figurativamente porque o dia 12 de agosto chegou, ou seja, minha festa de casamento estava tão próxima que eu contava os minutos (não na expectativa de começar logo, mas na expectativa de acabar logo) e vendo quanto tempo de sanidade eu ainda tinha. Esperava com todas minhas forças que Alice não fizesse nada exagerado, rosa ou felpudo. Aquela festa me lembrava meu aniversário de 18 anos, e todo meu esforço de querer que todos esquecessem aquela data. E parecia mesmo que tinham esquecido – o que era incrível. Todos tinham saído para caçar fazia horas e ainda não tinham voltado. Intrigante, mas deveria ser parte da surpresa da Alice. Só tínhamos ficado eu, Edward e Renesmee.
Edward estava tocando no seu piano de cauda uma música lenta e desconhecida aos meus ouvidos. Renesmee estava dormindo, algo que eu queria fazer às vezes. Dormir é a solução passageira de muitos problemas; ficamos inconscientes e sem pensar nas nossas preocupações, mas, conhecendo meu funcional cérebro, eu iria sonhar com aquele manto preto, então, era melhor eu ficar acordada. Lembrava-me muito vagamente do meu último sonho; aqueles grandes olhos penetrantes e sangrentos de um menino vampiro, que depois, descobriria que era Renesmee.
- Edward, você viu se Alice ou os outros Cullen voltaram da caçada?
- Não, pra falar a verdade – ele parou de tocar –, sei que Rose e Emmett voltariam hoje. Ele não perderia por nada nesse mundo sua cara de desespero – ele começou a rir.
- Humm, claro que não. Tudo bem, mas estou com um péssimo pressentimento sobre essa festa... E ainda mais com eles sumidos.
- É verdade. Será que ela está tramando alguma coisa?
- Você conhece Alice há séculos.
- Tem menos de um – ele riu.
- Engraçado como sempre, mas mesmo assim, já estou até vendo como vai ser. Ainda bem que no ano passado nós viajamos para Londres e ela não teve oportunidade de fazer uma festa.
- Ela deve vir com tudo que está acumulado e fazer uma festa super-rosa, você vai ver – nós rimos.
- Estou rindo para não chorar. Vou entrar em surto psicótico. Ai! Vou ser o brinquedinho de Emmett, droga.
- Vai parecer que é aniversário dele – Edward novamente riu, e eu tive que me juntar a ele.
- Preciso me distrair, estou ficando louca. Acho que vou escrever um pouco...
- Bem... Tenho algo melhor em mente... – disse Edward com malícia.
Edward correu e me pegou nos braços. Fomos para o quarto e deitamos na nossa cama três vezes mais resistente para eventuais atividades, coisa de Esme.
Edward me beijava com muita intensidade, fazendo descargas elétricas percorrerem por todo meu corpo. Ele tirou a camisa e mostrou seu corpo perfeitamente esculpido. Michelangelo ficaria com inveja do escultor que fez aquele Davi cem por cento melhorado. Seus olhos estavam de um cobre profundo, denso, e era como se eles quisessem falar com os meus – derretidos – com a perfeição desse ser maravilhoso.
- Como você está Sra. Cullen?
- Perfeitamente bem, meu marido.
- Eu sou só seu agora – ele disse com leveza.
- E sempre – completei. E começamos o ápice da nossa vida vampira.
Edward estava vestindo-se quando o celular dele tocou. Ele se levantou e foi atendê-lo, mas era uma mensagem de texto. Fazendo uma cara de desentendido, falou:
- “Leve Bella e Renesmee para nossa casa. Não retorne essa mensagem. Alice”
- Ai, começou – falei com tristeza.
- Irei ver se Renesmee acordou e corremos para lá.
Levantei-me e fui me vestir. Entrei na casa-closet e fui procurar uma roupa adequada. O cheiro predominante era indiscutivelmente de seda. Fui procurando o aroma de um vestido que tinha visto quando me perdi lá dentro uma vez e não foi muito fácil achar, porém, consegui realizar aquela missão impossível. Conseguia até ouvir aquela musiqueta na minha cabeça enquanto procurava. “Tam, tam tam tam tam, tararãm, tararãm”. Saí do closet e Edward já estava arrumado com Renesmee do seu lado.
- Vamos lá – disse Edward – Preparada?
- Eu acho que não – cochichou Renesmee – Ela parece que vai vomitar.
- Enfrentar os Volturi foi mais fácil – brinquei.
Saímos e fomos caminhando bem mais devagar, querendo adiar aquele momento de todas as formas. Chegamos à casa de Carlisle e estava tudo desligado. Pensei logo naquele chavão de festas surpresas que o desafortunado entra em algum lugar escuro e todos acendem as luzes e gritam “Surpresa!” e isso só me fez ficar mais nervosa. Quando entramos, preparei-me psicologicamente para ouvir todos saindo do escuro, mas ninguém apareceu; estava tudo em silêncio. Não conseguimos escutar nenhuma respiração, sussurros, nada. Só tinha um abajur acesso em cima de uma mesa.
- Alice? Carlisle? – chamou Edward.
- Esme? Jasper? – falei.
Renesmee correu pela casa a procura de alguém, e em dez segundos estava de volta, mas não encontrara ninguém. Fomos até a mesa e em cima dela estavam nossos passaportes, documentos, três enormes copos com sangue de urso e passagens de avião. Edward pegou as passagens e falou:
- São três passagens de avião para o... Panamá.
- O quê? – eu não consegui entender aquilo.
- Então essa era a surpresa da Alice? Uma misteriosa viagem para a America Central?
- Nossa! Nós nunca fomos ao Panamá! Que legal! – disse Renesmee.
O celular de Edward tocou novamente com outra mensagem. Desta vez ele mostrou o celular e estava escrito:
Vão imediatamente para o aeroporto. O voo sairá daqui a quarenta minutos. Quando vocês chegarem ao Panamá, saberão o que fazer.
Alice
- E agora? – perguntei sem saber o que fazer.
- Vamos fazer o que Alice disse: correr para o aeroporto.
Perplexa e muito mais nervosa, tomamos o sangue e pegamos nossos passaportes, documentos e saímos. À porta, ficamos parados olhando para a floresta, sem saber muito que fazer, mas Edward ligou para um táxi. Quando chegamos, o voo para Nova York, nossa primeira escala, estava quase saindo. Aquilo tudo estava acontecendo muito rápido, o que me deixava duplamente nervosa, entretanto, Edward parecia calmo e Renesmee estava adorando tudo aquilo. Entramos no avião e agradeci mentalmente por Alice ter deixado aquele sangue de urso para nós; não era o suficiente, mas dava para aguentar até chegar ao Panamá. Fico sedenta quando estou em surto psicótico.
- Meu deus! Jacob – falou Renesmee.
- Isso é um problema...
- Não se preocupe querida, quando chegar a em Nova York você liga para ele – consolei passando os braços em volta dela.
- Ele nunca vai me perdoar por ter viajado sem ter falado com ele – ela disse desapontada.
- Claro que vai. Quando ele souber que é coisa da Alice ele vai entender.
- Tomara...
- Viu Edward. Sua irmã atrapalha muito a vida dos que estão ao seu redor.
Edward riu e eu fechei a cara.
O voo passou rápido; acho que minha apreensão e nervosismo fizeram com que eu nem visse o tempo passar. Em um momento, um homem ficou nos encarando e Edward falou “Bella, você está parada há muito tempo, se mexa e pisque”. Com tudo isso eu tinha esquecido completamente desses detalhes humanos, mas Renesmee não, o lado humano dela fazia com que ela fizesse isso de forma natural, mesmo sendo desnecessário. As aeromoças ficaram desconfiadas por eu e Edward não termos comido nada durante toda a viagem, mas Renesmee, sim, comeu. Definitivamente esse lado humano era tentador. Quando chegamos à Nova York, Renesmee ligou para Jacob enquanto o avião estava pousado. Ela tocou em mim e ouvimos bem o que Jacob dizia, mas não era preciso, já que Jacob gritava:
- Jake?
- Nessie? – escutamos em nossas mentes a voz de Jacob.
- Jake, sou eu.
Nessie, eu fui a sua casa e não havia ninguém, nem na casa de Carlisle, onde vocês estão?
- Amor, eu não sei onde os Cullen estão – bem, eu tenho uma ideia –, mas eu, mamãe e papai estamos em Nova York... – ela disse sem jeito.
- NOVA YORK? O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO AÍ? – ele falou sem fôlego. Pensei em pedir para Renesmee pensar um pouco mais baixo, pois Jacob estava gritando.
- É coisa da Alice. Faz parte da festa de casamento da mamãe e do papai, mas ainda vamos ao Panamá...
- PANAMÁ? Mas amor, eu não vou conseguir ficar longe de você!
- Nem eu. Prometo que volto logo. Fique bem e não faça nada irracional, cachorro – ela brincou, mas com tom triste.
- Tudo bem, mas volte logo, correndo para mim.
- Só para você. Tenho que desligar, nós já vamos sair.
- Tudo bem. Eu te amo.
- Eu também, muito – ela desligou – Ai, como é difícil ficar longe do Meu Jacob.
- Eu sei querida. Isso terminará logo – cruzei os dedos.
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