- O QUE VOCÊ ACHOU?
- Ficou esplêndido. Essa roupa foi feita para você e vive-versa.
Eu esperava ouvir isso dele. É claro que ele me queria ali, ao seu lado; ele me cobiçava de uma maneira que chegava a ser exagerada. Era como se eu fosse uma deusa, a deusa que bloqueia a mente, grande coisa, mas na sua visão, isso era bem útil, e eu sabia disso. Em comparação com os poderes de outros vampiros que nós conhecíamos aquilo não era um poder tão grande assim.
- Vire-se e veja que eu estou certo – ele disse com glamour, pousando sua mão em meu ombro e depois, deslizando-a até meu braço.
- Bem... – murmurei meio que constrangida.
- Não se acanhe. Você vai ver querida. Para mim, é uma das coisas mais lindas que eu já vi.
- Tudo bem – eu falei e me virei para o espelho. Ele era enorme, parecido com um que Rose tinha, mas com uma moldura de ouro muito ornamentada, e parecia ser do tempo Renascentista. E realmente vi o que ele dissera: eu estava sublimemente linda, mas aquela roupa me proporcionava uma esquisita sensação. Meus olhos estavam estranhos, não sabia o motivo. Fiquei feliz em saber que ele não podia ler minha mente, se não, todos meus planos estariam prejudicados. A dor que eu sentia agora, o que eu faria, o que aquela roupa realmente significava para mim, tudo, tudo estaria acabado.
E eu olhei mais uma vez para aquele manto preto que me perseguia em meus acordados sonhos, e fui retribuída com os olhos injetados de sangue pertencentes a Aro.
De repente eu voltei à realidade sem saber o que aconteceu. O que foi aquilo? Aquela imagem preta, luxuosa, temida por mim e minha família? Eu sabia que aquilo não foi real, mas me fazia sentir, se isso fosse possível, um frio na espinha. Levantei-me da cama e vi que eu estava sozinha. Tinha saudades daquele primeiro e “original” chalé que Esme nos tinha dado de presente de casamento, porém, como dizia Emmett, “‘Vocês demoraram tanto para destruir aquele chalé, Bella. Eu e Rose...’, ‘Não precisa dizer, Em. Vocês já destruíram mansões, castelos, países, planetas, galáxias, não importa. E você perdeu a quebra de braço, a revanche e a revanche da revanche, ou seja, você não pode falar nada da sobre Edward e eu’”. Às vezes, ele era irritante. Pediu outra revanche e perdeu de novo e, é claro, Esme tratou de construir outro chalé, o que me dava mais pânico. O closet projetado pela Alice era maior que o antigo chalé.
Mãe? – ouvi em minha mente.
- Oi querida – respondi, sorrindo para Renesmee, que acabara de entrar no quarto. Como era linda, com seus compridos cabelos com cachos cor de bronze, seus grandes olhos castanhos, e seu grande... corpo. Ela estava enorme. Apesar de ter quase três anos de vida, ela parecia uma menina de uns 13 anos (hoje em dia as crianças estão com a aparência cada vez maior) e tinha a mente de uma adulta. Era incrível; o metabolismo dela, meio humano, meio vampiro, se desenvolvia de uma maneira inacreditável. Também achávamos que, como ela era mulher, os hormônios a fizeram crescer mais rápido que Nahuel, o vampiro híbrido que morava no Brasil. Só com sete anos ele parou de crescer e atingiu a forma adulta, mas, como víamos, com Renesmee seria bem menos. Achava estranho ela não ter amigos da sua idade, toda mãe espera por isso, mas na idade dela, os amigos praticamente não falam, não andam e são desdentados. Além do mais, os assuntos seriam terrivelmente diferentes.
O que aconteceu?
- Nada. Sonhei acordada por um minuto.
Sobre o que?
- Não importa. Onde estávamos?
Você ia me contar aquela história que criou quando eu era pequena. Quero ouvi-la de novo – ela deitou-se e me puxou para a cama
- Ah, é verdade. Não sei o motivo para essa apresentação, você sabe a história de trás para frente. E eu nem sei como tive a criatividade para criá-la, mas sinceramente, ela ficou horrenda.
- Não! – Renesmee falou, afagando meu braço e a cama – Claro que não ficou. Quando eu era pequena, lembro-me de adorar essa história.
- Quando era pequena... Ok. Vamos lá – suspirei.
“Era uma vez uma mesa de gelo; ao contrário das mesas comuns, ela não tinha quatro pernas, tinha várias, mas duas dessas pernas eram as principais, e sustentavam com mais êxito sua delicada e plana massa de gelo. Ela chamava-as de perna-edward e perna-jacob.
“Certo dia a perna-edward simplesmente desapareceu; foi roubada pelo destino, um ser muito velho e confuso. E sua fina camada de gelo se espatifou no chão – não completamente, mas uma boa parte. As outras pernas, lideradas pela perna-jacob, tentavam dia e noite reconstituí-la com olhares frios perante a dor, todavia, a cada segundo, ela ia derretendo. Então a perna-edward foi achada e ela conseguiu fazer outra perna, que agora não pode sair de perto da mesa: a perna-renesmee. E até hoje ela e suas pernas são felizes e firmes”.
- Que hilário – Renesmee riu ironicamente – Praticamente uma poetisa, você.
- Para! Vinda de mim, essa história é realmente bem elaborada.
- Estou brincando. Eu adoro essa história.
- Que história? – ouvimos uma voz que deliciava meus ouvidos. Edward entrou flutuando no quarto, lindo, como sempre. Seu rosto perfeito brilhava em contato com a luz do sol. Seus movimentos maravilhosamente esculpidos se mexiam com uma leveza impressionante.
- A história das “pernas” que vocês me contavam, lembra?
- É claro que sim. Como foi sua caçada? – ela perguntou para Renesmee.
- Incrível – ela interrompeu-se e virou-se – É muito diferente deixar-me levar pelo meu lado vampiro, como se meus sentidos aumentassem, meu impulso. Saí-me muito bem. Esme me ajudou um pouco. Também, não poderia ter professores melhores.
- Não nos agradeça. Você que é uma ótima aluna – Edward destacou.
Realmente era incrível; ela, tão pequena em idade, já caçando. Isso me assustava um pouco, mas Edward sempre me acalmava dizendo que ela podia se virar muito bem, afinal, ela também era vampira.
- Papai está certo, mãe. Você não deve se preocupar.
- Como? – disse sem entender.
- Ora, com essa sua cara, você deve estar pensando que “você é muito pequena, tem que tomar cuidado”, porém, não deve se preocupar.
- Ah, é verdade. Parece que você leu minha mente.
- Eu escuto muito isso... – falou Edward com um sorriso.
- Claro – eu e Renesmee rimos.
Renesmee caçava muito bem, mas também comia comida humana, só que ela preferia o sangue, entretanto, poder comer comida humana era bem útil às vezes, como na vez que fomos visitar Renée. Renesmee comia tudo, e isso fez com que Renée se esquecesse que eu e Edward não estávamos comendo.
Todos nós saímos e fomos para a casa de Carlisle. As árvores estavam serenas e límpidas, o que aumentou nossa vontade de ir devagar, apreciando a paisagem. Quando chegamos, Jacob e Seth estavam na porta; Jacob, enorme como sempre, se aproximou correndo de nós. De Renesmee, mais especificamente.
- Jake! – gritou Renesmee.
- Nessie! – ele correu e a abraçou. Já me acostumara com a ideia do imprinting com a Renesmee e ele não tinha culpa. E, vendo pelo lado bom, ela estaria sempre segura, com alguém que realmente a ama por perto.
- Oi, Jake. Como está? – perguntei depois de eles se soltarem.
- Bem, apesar da bagunça do bando – ele disse logo que soltou Renesmee – Como vai Edward?
- Bem Jacob, obrigado.
- O que está acontecendo Jake? – perguntei.
- É o Sam, ele quer sair da função de Alfa.
- E você que terá que assumir?
- É – ele murmurou com tristeza – Todo mundo sabe que eu não quero ser o Alfa. Já bastou ter sido quando “lutamos” com os Volturi.
- É – repeti com o mesmo tom – Você vai se sair bem. Mas, por que ele não quer mais ser o Alfa?
- Ele quer se dedicar exclusivamente à Emily, já que vão se casar. Eu sei que será egoísmo o que eu vou dizer, mas se eu aceitar a função de Alfa – ele disse virando-se para Renesmee –, não terei tanto tempo com você, Nessie.
- Mas Jake, se for pelo bem da tribo, você tem que aceitar. Ainda assim, você será meu Jacob.
- Sempre – ele disse e abraçou novamente Renesmee e eles se beijaram.
- Oi Seth, tudo bem? – o tamanho descomunal de Jake escondia Seth, que só se manifestara visualmente agora.
- Tudo ótimo, e com você Edward?
A amizade dos dois só crescera depois dos ataques que sofremos (primeiramente de Victoria e seu bando de recém-criados e depois pelos Volturi, mesmo não sendo um ataque propriamente dito). Tinha quase cem por cento de certeza que Leah estava por perto, entre as árvores. Não sentia seu cheiro, nem ouvia sua respiração, mas ela nunca deixaria seu irmãozinho na toca dos sanguessugas sozinho. Acenei para ele e entrei na casa, deixando os dois conversando. Olhei para Alice, Jasper e Carlisle, que jogavam Banco Imobiliário; é verdade que Alice tinha uma pequena vantagem sobre os dois, mas Jasper aparentemente estava ganhando, pois sorria e debochava enquanto Alice fechava a cara.
- Bella, que bom que você veio! – disse Alice, mudando de humor – Preciso acertar umas coisas com você.
- Oi Alice. Que coisas?
- Surpresa. Não para você, para os outros. Por isso, não posso lhe contar na frente de todos – ela falou com um sorriso no rosto.
- Ok, depois conversarmos. Mas Edward não já deve estar sabendo? – olhei-o, ele estava absorto conversando com Carlisle e Seth, mas tinha um sorriso que estranhamente me mostrava que não vinha da sua conversa.
- Não... Nesse exato momento eu estou invertendo todas as palavras do livro Romeu e Julieta. Agora o título é Ateiluj e Uemor – seu rosto transparecia uma impagável cara de desânimo. Eu ri alto o que fez todos olharem para mim – Nessie, como você está? – ela diz mudando de assunto.
- Estou bem Alice.
- Que bom queria, como foi sua caçada? Esme disse que você foi ótima
- E fui mesmo. Esme caça muitíssimo bem. E você, vai caçar hoje?
- Vou sim, com Edward e Bella.
- Ah, é claro que você já sabe – Edward falou com um tom irônico e Alice riu. Não tinha entendido, mas depois percebi que Alice não tinha sido convidada ainda, mas com seu (injusto) dom, ela já sabia que seria convidada.
- Podemos conversar agora Bella?
- Claro.
- Ela só quer sumir com Bella porque está perdendo – sussurrou Jasper.
- Eu ouvi Sr-estou-escondendo-três-mil-no-meu-bolso.
- Droga.
Subimos até o quarto de Alice. Não tinha ideia do que se tratava nossa conversa, mas, conhecendo-a, devia ser algo que ela gostaria muito de fazer, e isso nunca era um bom sinal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário