quarta-feira, 29 de junho de 2011

8 – Fratricida

8 – Fratricida

- MAS, QUEM CUIDARÁ DA ILHA QUANDO NÃO ESTIVERMOS AQUI?

- Eu li na mente de Alice que ela já cuidou disso, obviamente. Temos uns empregados que só chegarão daqui a uma semana. E ela meio que tentou esconder uma parte disso, mas consegui pegar algo sobre “eles vão ficar de cara no chão quando virem a filha deles”.

- Ai... Ela deve ser uma mutante de duas cabeças, só pode – Edward riu; mudei de assunto quando me lembrei de Gustavo, o brasileiro que cuida da Ilha de Esme – Já estou com saudades de Renesmee – era como se um va­zio estivesse em meu peito. Não um vazio que doía, mas que incomodava. Estivera longe de Renesmee pouquíssimas vezes, mas sentia que existia uma ligação entre nós, que mesmo que estivéssemos longe uma da outra, era como se estivéssemos juntas.

- Também estou. Mas devemos deixar Nessie viver, sem que esteja sob nosso total controle; além do que ela não precisa da nossa guarda constante.

- Eu sei, mas ela é nossa filha, e eu tenho esse instinto de proteção.

- Todos nós temos. Principalmente as mães, contudo, deixe Nessie correr, ou no caso, deixe nosso Monstro do Lago Ness nadar – disse Edward usando uma figura de linguagem ridícula.

- Pare com isso, odeio esse apelido e muito mais ter que lembrar o que ele significa; tinha que ser coisa do Jacob. E vocês ainda o apóiam.

- Tudo bem, desculpe – ele disse rindo. Passamos um tempo em silên­cio e eu percebi que ele olhava para o teto; sem pensar eu olhei também, e pela milésima vez no dia, entrei em choque.

- Oh, meu deus! Eu não acredito! – eu queria voltar no tempo e não ter visto o que estava pintado no teto. Achei que os Cullen tivessem roubado o teto da Capela Sistina, pois no teto na nossa nova casa estava pintada A Cria­ção do Homem de Michelangelo.

- Ah, isso. Tinha gravado em minha mente que, se possível, deslocaria seu pescoço, só para você não ver isso – disse Edward, mas não tão surpreso quanto eu.

- Isso é inacreditável! Eles ressuscitaram Michelangelo e o fizeram vir a uma ilha no meio do Panamá para pintar isso de novo?! – eu não acreditava em meus olhos.

- Coisa da Alice, claro.

- É claro que é coisa da Alice! Meu deus era só o que faltava. É a junção do Coliseu com a Capela Sistina!

Edward deu um ataque de risos e eu tive que acompanhá-lo. Alice e seu humor-negro. Acho que isso é de família.

- O que você está pensando? – perguntei depois do nosso ataque de risos e um momento de silêncio.

- Eu estava pensando, não lhe dá nem um pouco de ciúmes de Nessie com Jacob? – perguntou Edward com uma cara de dúvida.

- Bem, um pouco – virei o rosto e lembrei-me deles conversando intima­mente. Senti Edward colocar seu braço em minha volta e dizer:

- Ah, já entendi – ele baixou os olhos – Você tem ciúmes de Jacob com Renesmee.

- Também tenho – assumi –, mas, pelo menos, ele está com alguém que o ama de verdade, e vice-versa.

- É, e vice-versa – ele repetiu – Nossa pequena não é pequena; tanto psicologicamente quanto fisicamente.

- É verdade – rimos.

- Será que ela vai se casar com aquele cachorro? – Edward riu.

- Espero que sim, se for para ser com alguém, que seja com ele. Queria entender essa coisa de imprinting.

- Eu também queria, mas pelo o que eu vi na cabeça de Jacob, é como se a gravidade da terra não fosse mais ao centro, e sim, em Nessie. É uma coisa muito intensa que significa tudo na vida dos dois. Acho que Marcus fica­ria tão impressionado com essa força que nem iria saber controlar seu poder, mas eu tenho certeza que ele se matará quando vir nosso relacionamento agora...

- Tenho plena certeza e torço por isso – nós rimos - Os Volturi não te preocupam mais? – especulei.

- Bem, não muito; eles não têm nada conosco. Não fizemos nada de errado, você já é vampira e eles já sabem muito bem disso. Mas como você já viu, eles criam e recriam suas próprias leis, então, se nós respirarmos eles po­dem dizer que respirar é proibido para os vampiros, pois nós não precisamos de oxigênio, por isso, todos nós seremos mortos – ele disse com um tom de ironia incrível e nós rimos – Acho que só Tia escaparia dessa lei, ela nunca fala!

- É verdade; eu acho que eles não deveriam ter esse poder todo, eles são injustos e sádicos. Mas, Edward, eles sempre foram a realeza?

- Na verdade eu não sei bem. Sei que Vladimir e Stefan, do clã romeno, eram os Volturi, mas a 1500 atrás, os atuais Volturi os derrotaram e derruba­ram seu castelo. Depois da rebelião, aparentemente os dois foram os únicos sobreviventes de seu clã. Quando eu me tornei vampiro, e Carlisle me contou sobre eles, Aro já era o vampiro mais poderoso e temido, e era um Volturi. Mas eu soube vagamente que, na época dos romenos, havia um vampiro que estava acima dos Volturi, uma vampira na realidade.

- Quem?

- A Baronessa.

- Baronessa?

- Esse é o título de baronesa em italiano.

- Ah. Nossa. Monarquia não estava meio que “democratizada”?

- É – riu-se Edward – Seu nome era Eliza­beth; era uma vampira muito poderosa e, em comparação com os Volturi, muito mais justa. Ela tinha um dom, mas eu não sei qual era e qual fim ela le­vou. Dizem que é a vampira mais velha que existe. Ela simplesmente desapa­receu e Aro ficou como o vampiro mais poderoso do nosso mundo.

- Nossa, que droga. Será que ela morreu?

- Ninguém sabe, ela simplesmente sumiu há muito tempo atrás. Todos do mundo dos vampiros tiveram que aceitar Aro como líder supremo; Carlisle não gosta muito, mas, fazer o quê? E Aro nunca comenta sobre ela, uma espécie de tabu. Carlisle acha que teve sorte por fazer amizade com Aro, a princípio...

- Humm; falando nos Volturi, por que Marcus é tão frio, apático? Ele nunca fala e tem sempre aquele ar de tédio...

- É outro exemplo do sadismo de Aro – ele começou a contar uma histó­ria.

Aro tinha uma irmã biológica, Didyme. Quando ele foi transformado e descobriu seu incrível poder, queria aliados tão fortes quanto ele, então, transformou a irmã sem seu consentimento. Didyme tornou-se uma vampira e Aro ficou absolutamente desgostoso, pois o poder de Didyme era ínfimo: ela carregava uma aura de felicidade que fazia as pessoas se apaixonarem por ela. Aro fez vista grossa, esperando que um dia esse poder fosso útil, mesmo sabendo que aquilo era tremendamente improvável. Quando os Volturi de hoje se reu­niram, Marcus se apaixonou por ela, com o amor real e recíproco; Didyme amava-o também. O amor era tão grande e forte, para você ter uma ideia, quando Marcus usava seu poder perto de Didyme, ele falhava, tamanha era a relação deles. Com o tempo, o interesse com os Volturi de ambos acabou. A felicidade perdurou por muito tempo, mas Aro, que sempre aceitou aquele relacionamento, não por completo, mas nunca tentou impedir, revoltou-se quando descobriu que Marcus e Didyme decidiram fugir para ficarem juntos. Aro tinha duas escolhas: sua irmã, que saíra do mesmo ventre que ele, e que amava, ou Marcus, que era seu amigo de justiça, e que tinha um dom utilís­simo e muito mais importante do que o da irmã. Ele preferiu ficar com o amor ao poder. Arquitetou um simples, porém engenhoso plano: disse à irmã que eles deveriam visitar o túmulo da mãe, morta há séculos. Didyme aceitou de prontidão e eles fizeram uma pequena viagem até a sepultura da mãe. Quando chegaram ao adro, Aro matou a própria irmã com a ajuda de um comparsa, Félix, mais especificamente – Edward fez cara de nojo quando fa­lou o nome de Félix – Marcus ficou tão devastado quando soube da notícia que tentou se matar, o que Aro não tinha planejado. Um fratricida repugnante.

“Então, é aí que entra Chelsea. Aro usa até hoje o poder dela, que é desfazer os laços entre as pessoas, para manter Marcus na liderança dos Vol­turi, quebrando o laço entre ele e Didyme, apesar de que nem mesmo o poder de Chelsea possa fazer Marcus ter veemência com o poder, por isso, ele é daquele jeito: ele não quer mais viver, mas ao mesmo tempo, ‘quer’ ficar como um Volturi”

- Eu não acredito – eu estava pasma com a mente doentia de Aro.

- Já que ele tem o poder, ele pode tudo. E nós não podemos fazer nada. É por isso que Charlie não pode ficar sabendo de nada; isso seria um maravi­lhoso pretexto para os Volturi.

- Eu nem quero pensar nisso. Como assim o poder de Marcus falhava?

- Já que o poder dele é sentir a força dos relacionamentos ao seu redor, quando ele estava perto de Didyme, seu poder entrava em pane. Ele ficava cego e não con­seguia analisar o próprio amor, tamanho era sua intensidade.

- Nossa, ele deve ter ficado arrasado quando Didyme morreu – definiti­vamente, Aro era sádico – Mas, já que eles têm Chelsea, que pode destruir laços entre as pessoas, por que eles não desataram os nossos quando es­tivemos em Volterra?

- Eu acho que é porque eles queriam que nós quiséssemos estar com eles. Não é a mesma coisa querer e ser induzido a querer.

- É verdade, seríamos como Marcus – a cada dia eu me arrepiava mais só de pensar em Aro.

- Bella, mudando de assunto, por que você não tira seu escudo? Já aca­bou tudo o que Alice preparou e você não precisa esconder nada.

Eu não tinha escapatória, não havia motivos para continuar com aquele capacete invisível ao redor da minha mente. Pra falar a verdade, não sabia o porquê de todo aquele drama vindo da minha parte. Tirei o escudo e Edward logo começou a ler minha mente. Eu pensava nos Volturi e seus magníficos dons.

- Obrigado, é estranho ficar ao lado de alguém que eu não consiga ler a mente; é como se a pessoa fosse muda para mim. Já basta o seu tempo como humana. Desculpe por isso, mas já faz parte de mim.

- Tudo bem, Edward. Agora me fale mais dos Volturi.

sábado, 25 de junho de 2011

7 – Fósforo

7 – Fósforo

EU QUERIA MORRER.

Com toda convicção existente no nosso vasto universo, eu queria morrer.

- SURPRESA! – gritaram todos os Cullen de uma só vez, numa fúnebre sincronia.

As luzes se acenderam e nós pudemos ver que a casa era maior por den­tro do que por fora. Tinha traços clássicos e muito luxuosos, com móveis antiquados e modernos, uma escada em espiral com degraus dourados e colu­nas que faziam a sala parecer o Coliseu. Decorações festivas estavam por to­dos os lados: balões, laços, fitas, tudo; só faltava mesmo um bolo branco de três andares com os noivinhos em cima para completar a cafonice toda. Esta­vam todos perto de um sofá roxo bem grande com um sorriso enorme, prin­cipalmente o de Emmett, que deveria está adorando minha desorientação. Eu estava errada em ter dito um dia que Forks era meu inferno particular na terra. Não, aqui era meu inferno particular na terra, e eu estava rezando para que um meteoro caísse aqui nesse exato minuto.

- Parabéns queridos! – falou Esme, sempre adorável.

- E aí, o que vocês acharam? – perguntou Alice saltitando.

- Eu não sei bem, acho que minha consciência ficou em Forks – falei, com uma voz aguda e irritante, e todos riram.

- Bella, Edward, esse é seu presente de casamento – falou Alice explo­dindo de euforia.

- Essa casa? – indagou Edward.

- Não, essa ilha! – falou Alice e eu queria morrer duplamente. Nunca me acostumei com a ideia de Esme ter ganhado uma ilha de Carlisle, a Ilha de Esme no Rio de Janeiro, imagine eu ter minha própria ilha – Bem vindos a Ilha Bella!

- Uau! Que máximo! – falou Renesmee.

- ALICE, VOCÊ FEZ A GENTE RODAR A METADE DA AMÉRICA PARA NOS DÁ UMA ILHA? – gritei perplexa.

- Isso! Não é o máximo? – ela disse como se fosse a coisa mais natural do mundo.

- Definitivamente isso foi o máximo da criatividade de uma pessoa, o que faz a sanidade mental desaparecer.

- Eu não acredito, obrigado Alice, Esme, Carlisle, Rose, Emmett e Jas­per – falou Edward – Isso foi... surpreendente.

- Alice, qual foi a parte do “nada exagerado” que você não entendeu?

- Ora, eu fiz uma coisa simples. Não tem nada rosa por aqui, tem?

- VOCÊ NOS FEZ VIAJAR PARA O PANAMÁ E NOS DEU UMA ILHA! – e eu continuava gritando.

- Então, simples assim – ela falou com uma cara inocentemente angeli­cal que se eu não a conhecesse, cairia piamente – Estou brincando, isso foi o máximo do que eu já fiz até hoje! Já que no ano passado eu não fiz nada, tive que caprichar nesse ano. Mas nunca poderemos deixar de agradecer a Benja­mim. Essa ilha foi ele que criou, acredita? Ele simplesmente olhou no oceano vazio e fez essa ilha subir! Foi incrível.

Estavam destruindo a crosta terrestre só para me dar um fútil presente de casamento. Realmente incrível.

- Eu te avisei – disse Edward.

- Estou adorando tudo isso – falou Emmett com frenesi.

- Jasper, por favor, acalme Bella – falou Edward.

Automaticamente me senti muito mais calma, em paz; o poder de Jas­per era muito útil mesmo.

- Obrigada Jasper – falei, vendo que não deixara minha consciência em Forks – Devia ter um de você no meu bolso.

- E então, preparados para a festa? – disse Alice enquanto ligava o som.

A música era bastante agitada, e depois que Jasper me acalmou, eu até que estava mais animada, porém, cansada, se é que isso é possível. Alice co­meçou a dançar com Jasper e Emmett conversava com Carlisle. Rose estava mostrando à Renesmee seu vestido e Esme veio falar conosco.

- Novamente, parabéns! Espero que vocês façam várias festas de aniversário de casamento. Gostaram do presente? – disse Esme, com um corte de cabelo dife­rente e moderno.

- Ainda não processei ter ganhado uma ilha e ainda por cima, com meu nome.

- Esse nome foi ideia minha, mas a ilha, foi de Alice.

- Foi muita gentileza sua, Esme, nós agradecemos – disse Edward.

- Claro, claro. Muito obrigada Esme – completei.

- Isso não foi nada, Bella. Eu vi o quanto vocês gostaram da minha ilha que de­cidi dá uma só para vocês. Será como uma nova lua-de-mel.

- Mas essa casa nem parece com a sua, Esme. Ela é muito maior e muito mais... – extravagante, pensei – elegante.

- Nós fizemos essa casa totalmente revestida de aço para que ela não dure até amanhã – nós rimos, bem, eles riram, eu apenas grunhi.

- Não se preocupe Esme, nós teremos cuidado – disse Edward. Aquele assunto não me deixava muito à vontade.

- Que bom, aproveitem agora, a casa e a festa.

Apesar de que o veneno mortal injetado em minhas veias não estarem mais fazendo efeito, e minha desorientação, raiva e vontade de morrer terem passado, eu estava feliz por todos estarem felizes. Alice dançava com uma le­veza que parecia levitar, e com uma velocidade, que se eu não estivesse pres­tando tanta atenção, eu não saberia ao certo em que posição ela estava; até Jasper, que era o mais tímido e reservado, estava bem à vontade e dançando, não como Alice, mas para ele, isso era muita coisa. Emmett veio falar comigo com um sorriso de orelha a orelha, dizendo que adorou minha cara de “quem tem um fósforo pra eu me matar?” e me desejou felicidades; apesar de ser o que mais me atormenta (um dos; o páreo era feio ao lado de Alice), ele era um doce.

Renesmee estava com um prato de salgadinhos na mão, que Alice prepa­rou especialmente para ela, enquanto ela ligava para Jacob. Pela sua cara, ele estava para vir correndo de Forks até Miami, depois nadar até o Panamá, e encontrar minha ilha (meu deus, eu tenho uma ilha!) só para vê-la, o que ela não acharia ruim.

A festa durou horas; essa era a vantagem de ter uma ilha, não importa o volume do som nem a duração da festa, estamos sozinhos no meio do oceano e ninguém vai nos incomodar. Estou perplexa com essa notificação.

Nunca entendi bem como alguém pode ter posse de uma ilha, mas conhe­cendo Alice, acho que ela me daria Marte e levaria alces e ursos para lá (sabendo que eles iriam morrer) só para me (irritar) presentear.

Eu e Edward dançamos, mas decidimos conversar sobre isso tudo de­pois, quando estivéssemos a sós. Era bom não estar cansada nem precisar dormir; eu não queria perder aquilo por nada desse mundo, aquele momento maravilhoso com as pessoas que eu realmente amo – eu devo ser bipolar, há uma hora eu queria morrer e agora eu estou adorando. Porém, Renesmee não tinha essa regalia da vida vampira, por isso ela estava dormindo em um quarto do segundo andar.

- Bella, nós temos que ir, nosso avião sairá daqui à uma hora – disse Alice depois de horas de festa.

- Tem que ir, como assim?

- Querida, você não acha que nós vamos ficar aqui atrapalhando sua lua-de-mel, não é?

- Mas, Alice, vocês não atrapalham em nada.

- Não, nós iremos. Você e Edward terão um tempo a sós e depois vo­cês voltam para Forks. Com tantas coisas para fazer, nem se lembrarão de nós – ela riu.

- E Renesmee? – perguntei; Edward já sabia a resposta mais parecia tão desorientado quanto eu.

- Ela irá conosco; não se preocupem. Vocês ficarão aqui por uma se­mana. Seus passaportes e todos os documentos estão aqui, e tem sangue de urso e veados para vocês não precisarem caçar. Eu pensei em tudo.

- Claro que pensou Alice.

- Pois, bem, agora vamos – disse Rose descendo as escadas com Renes­mee ainda sonolenta.

- Você vai ficar bem, Nessie? – perguntou Edward.

- Claro que sim, e eu preciso ver Jake. Ele já deve estar nadando até aqui se duvidar.

- Tudo bem, pode ir.

Eu e Edward demos um longo abraço em Renesmee e em todos os Cul­len. Os acompanhamos até o barco; a areia parecia bem gelada, e branca ao luar, e o mar estava negro, porém calmo. Quando eles não estavam mais a vista eu e Edward entramos e sentamos no sofá roxo. Até que eu tinha gos­tado dele.

- Ai. Que dia – ele falou enquanto nos jogamos no imenso sofá.

- Que dia – repeti.

- O que você achou? – ele perguntou enquanto ele me colocava no colo.

- Olhe para tudo isso; é tudo lindo, e assustador.

- Como assustador?

- Não sei, é muita coisa para mim. Ganhar uma ilha e com meu nome.

- Ilha Bella, não tinha nome mais perfeito para essa ilha perfeita – ele olhava para meus olhos, intensos e misteriosos. Estar tão perto dele era como está no céu; eu toquei no seu rosto para ver se isso era verdade.


- Tenho que concordar, essa ilha é muito bonita. Mas eu nunca vou me acostumar em ter uma ilha. “Oi Bella, onde você esteve?” “Ah, você sabe, na
MINHA ILHA!” – entrei em pânico só em relatar aquela provável conversa com alguém e Edward riu.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

6 - Megera

6 – Megera

- POR QUE SOMENTE ALGUNS VAMPIROS TÊM PODERES ESPECIAIS? – PERGUNTEI.

- Os poderes que vocês adquirem nessa nova vida estão relacionados com algo que aconteceu na sua vida humana. Ainda não tenho convicção para dizer o que acontece na mente de vampiros dotados com esse dom, muito menos com vampiros com dons físicos, como é o caso de Benjamim. Isso está além da minha compreensão por enquanto. Porém, presumo, que algum trauma psicológico, algo que poderia ter afetado a pessoa em questão, possa ser a causa desse dom na nova vida.

- Outra coisa que eu nunca entendi bem é o porquê de nós nos auto-intitularmos “imortais”.

- Isso mesmo – ele riu-se – Essa é uma ótima pergunta que pode ser respondida com uma breve volta ao passado.

“Os vampiros de antigamente gostavam, e ainda gostam, de ser melho­res que os seres humanos, por isso, intitularam-se imortais, que é o presente que qualquer humano anseia. Se nós o temos, nós somos superiores, é assim que eles pensam. Eles ficavam se vangloriando para os humanos, os que não devoravam claro, e essa é a história que os humanos conhecem. Já que se fi­cou falando “imortais”, “imortais”, “imortais” por tanto tempo, meio que se tornou um rótulo para nós, mesmo que os humanos não possam saber da nossa existência agora. Mas, como eu disse, no princípio eles ficaram sa­bendo. Basicamente, somos humanos com prazo de validade indeterminado”.

- Outro ponto: se não é permitido humanos saberem da nossa existên­cia, como todos sabem de histórias de vampiros e suas lendas? Mas essa você acabou de responder.

- Não completamente. O que você sabia sobre vampiros antes de conhecer Ed­ward?

- Bem – tentei me recordar de todas as, agora, infundáveis histórias so­bre vampiros – Sabia que vampiros tinham presas, não tinham reflexo, não saiam em fotografias, só entravam em casas se fossem convidados – comecei a rir –, tinham medo de alho, crucifixos, água benta, sol e dormiam em caixões – ao terminar, imaginei-me sendo aquilo que eu cultuei por tanto tempo. Bi­zarro.

- Isso também é respondido pelos antigos vampiros.

“Naquela época, os vampiros eram conhecidos, mas não saiam desfi­lando por aí dizendo que eram vampiros. Eles precisavam ser discretos, ou suas presas fugiriam. Você já viu um leão andando perto de alces e rugindo ‘eu sou um leão’? Claro que não – ele riu – Então, para não descobrirem que eram vampiros, inventaram essas lendas. Ora, se um vampiro entrasse numa casa sem ser convidado, ou ainda se ela estivesse abarrotada de alho e não acontecesse algo, os humanos pensariam logo que ele não era um vampiro. Tudo aquilo que os humanos acreditam até hoje, só reforça a ideia de que nós não somos vampiros. A temporada de caça estava aberta para eles. E mais: milha­res de pessoas morreram por causa disso. Se uma tivesse alergia a alho, por exemplo, era executada imediatamente, pois era considerado um vampiro. Fo­ra outras bizarrices que os humanos inventavam e que acarretou na morte de inocentes.”

- Nossa, que horrível.

- É verdade. Depois de muito tempo, os vampiros viram que precisa­vam se organizar. Eles se basearam, ironicamente, nos próprios humanos para fazer isso, e ainda dizem que os humanos só podem nos dar o sangue. Quando surgiram os primeiros Volturi, eles perceberam que não era plausível andar espalhando a existência deles e passaram a punir quem fizesse isso. Na Idade Média, vários vampiros foram parar na fogueira de propósito só para impressionar os humanos. Eles adoravam ver os rostos de medo quando eles eram amarrados, quase voluntariamente, à fogueira e o fogo não os consumia. Obviamente, os Volturi trataram de queimá-los de verdade e implantaram entre os humanos as histórias de que a existência de vampiros eram lendas. Foi a pri­meira lei criada da história dos Volturi, e que, no caso, é a mais importante.

- Uau. História Vampira é mais interessante que História Geral; devia ser matéria obrigatória nas escolas.

Pensar em todo esse assunto de vampiro foi muito bom; além de fazer esque­cer-me da minha sentença mortal, fez o tempo passar mais rápido. Quanto mais cedo começar meu açoitamento, mas cedo irá acabar. Renesmee estava comendo um sanduíche quando surgiu uma estranha e embaraçosa pergunta na minha cabeça.

- Renesmee, é... nada, esqueça.

O que foi mãe? – escutei em minha mente. Renesmee não parava de co­mer e por isso, preferiu não parar.

- Não é nada, besteira minha – estava morrendo de rir por dentro.

Pode perguntar, não tem problema.

- É que... – comecei a rir – Eu estava me perguntando. Como é beijar um cachorro? – Renesmee quase se engasgou e nós demos um surto de risos com aquela pergunta idiota.

Como assim, mãe?

- É que, Jacob fede muito. Cheiro de cachorro molhado...

Eu nem sinto muito o cheiro. Faço com que minha parte humana prevaleça quando estou com ele.

- Ah, sim. Essa pergunta sempre me instigava – não consigo imaginar ser híbrido; como um humano super forte. E mais estranho perguntar isso para minha filha.

É verdade, eu gosto disso, ser diferente.

- E eu estava pensando. Antes de Forks, nunca imaginaria que existiam vampiros, lobisomens, metamorfos, essas coisas; sempre delimitava uma linha na minha vida. A vida antes de Forks, pacata, simples, sozinha; e a depois de Forks, agitada, complicada, forte.

É. Ainda bem que eu nasci no meio de tudo isso. Não sei se eu aguentaria descobrir tudo isso de uma só vez.

- Não sei como eu aguentei tudo isso. Lembro-me bem do dia que eu descobri que Edward era vampiro.

Conte-me! Quero saber os detalhes!

Contei cada minúcia que minhas embaçadas lembranças me permitiam.

- Eu sempre sonhei com isso – ela terminou o sanduíche e falou –, o encontro perfeito, romântico. Espero sinceramente que Jacob me leve a um passeio desses, pela floresta, sem ter hora para voltar, só nós e a natureza...

- Claro que ele vai fazer isso, querida, do jeito que ele te ama.

- É, nem que eu tenha que acidentalmente – ela focou lentamente nessa palavra de forma irônica e impagável – colocar essa ideia na cabeça dele – nós rimos.

- Você é hilária Renesmee.

- Claro que sou.

- E modesta – rimos de novo. Adorava conversar com Renesmee, ela não era só minha filha, era minha amiga. Foi tão bom que ela cresceu rapida­mente; ela já tinha maturidade de enfrentar qualquer coisa.

- Acho que estamos chegando – interrompeu Edward.

- Estamos? – perguntei.

- Olhe – disse Edward apontando para um ponto no horizonte. Lá es­tava uma ilha, uma pequena ilha. O tom verde era predominante; altas árvores se espalhavam por todos os lados, o mar estava límpido e muito azul; mas uma coisa cortava essa harmonia verde-azul. Uma enorme casa com altas pa­redes amarelas aparecia no meio da floresta em miniatura. O celular de Ed­ward tocou.

- “Agora que vocês viram a casa, deixem o barco na praia e entrem. Alice”

- Vamos logo – minha cabeça rodava; se eu ainda humana, aposto que estaria com estuações.

O barco foi um pouco mais devagar para poder parar na praia de areias brancas e quentes, o que fazia meu cérebro ter um colapso. Descemos do barco e fomos até a enorme casa, rezando para que Alice estivesse ali dentro e acabasse logo com isso. A casa era perto da praia, e muito maior do que pare­cia. De dentro da casa, ouvimos sussurros e pequenas movimentações. Ed­ward deu um rizinho. Mau sinal.

Entramos e eu senti cabos de aço presos a meu corpo, a perfuração da injeção letal em minhas veias, e raios caindo em minha cabeça, provenientes da tempestade que pairava sobre nós desde aquela manhã. Deveria ter esco­lhido outro livro para ler. Acho que escolherei A megera indomada, também de Shakespeare, da próxima vez; com certeza minha raiva seria tão indomada que Alice desejaria se lançar ao fogo da próxima vez que tentar fazer qualquer festa idiota.

terça-feira, 21 de junho de 2011

5 – Rótulo

5 – Rótulo

O VOO NOVA YORK-MIAMI TAMBÉM FOI TRANQUILO, MAS MUITO MAIS diver­tido. Quando chegamos ao aeroporto, várias pessoas nos olhavam descarada­mente, apontando e comentando. Edward, que tira suas brilhantes ideias sei lá donde, chegou perto de um grupo com as expressões maravilhadas.

- Oi, podem-me dizer onde ficam os estúdios de gravações? - ele per­guntou a um homem alto e bronzeado que me encarava.

- É-é melhor você perguntar no balcão de informações... Vocês são ato­res? – seu olhar passou de Edward até mim.

- Sim, somos. Estamos meio perdidos, nossa equipe teve um imprevisto e nós teremos que nos virar...

- É impressão minha, ou... vocês já estão maquiados? – perguntou uma mulher bem bonita ao lado do rapaz.

- Sim – Edward riu olhando para mim. Entendi que era para rir tam­bém.

- Mas, eu nunca vi maquiagem assim, tão... marmórea.

- Ah, você não tem ideia do que nossos maquiadores são capazes. Essa maquiagem até brilha no sol! – eles abriram a boca – Uma nova maquiagem, e eu nem deveria está falando isso... Bem, obrigado.

Afastamo-nos do grupo deixando-os com a cara no chão. Não acredi­tava o que Edward tinha feito. Ainda consegui escutar “Se aquela mulher esti­ver no filme, eu não perco por nada!”.

- Edward! O que foi aquilo? – guinchei em meio a um ataque de risos.

- Queria experimentar essa desculpa pelo menos uma vez, e funcionou!

- Meu deus, eu não acredito!

- Tomara que um cineasta nos veja, seria um filme ganhador do Oscar de Melhor Maquiagem, pelo menos!

- Eu seria a protagonista, claro – disse Renesmee.

- Se depender daquele rapaz, será sua mãe.

Eu juro que foi uma das situações mais estranhas que eu já tive. (Eu, atriz?)


O voo do Panamá demorou um pouco mais do que o de Miami; acho que foi pela minha abstinência de festas – feita com todo livre-arbítrio. Dessa vez Alice tinha superado tudo o que ela fez até hoje, e isso me fazia sentir como se eu fosse uma prisioneira psico­pata sendo carregada para sua deliciosa sentença à cadeira elétrica.

Quando chegamos ao Panamá, ficamos parados esperando alguma coisa acontecer (talvez Edward dissesse que esperávamos pela “produção” do filme, oh céus!), até que o celular de Edward tocou novamente.

Peguem o barco nº 4132 no porto. Comprem um mapa, perguntem a alguém, peguem um táxi, não importa, mas vão para lá imediatamente. Ainda bem que vocês vieram com roupas compridas, aqui “tem sol”.

Alice

- Meu deus! – isso estava parecendo uma perseguição; nós correndo pelo mundo atrás de uma festa sem noção. Eu estava completamente louca. Não perdoarei Alice nem quando o sol explodir.

- Vamos fazer o que Alice disse; pegaremos um táxi e iremos ao porto.

Fomos até uma das lojas de suvenires para comprar um mapa e chamar um táxi, agrade­cendo por Edward saber falar espanhol. Depois de comprar o mapa, pegamos o táxi e fomos ao porto. Vi o taxista murmurar alguma coisa e Edward sus­surrou “Ele não está entendendo como nós viemos para o Panamá com rou­pas compridas. Aqui faz muito calor mesmo”. Acho que entendi ele falar algo meio “temos uma cena para fazer no porto”. Aquilo estava me cansando, porém, não podia deixar de admitir que era hilário. Não demorou muito e logo chega­mos. Edward abriu a carteira e tinha notas de uma moeda que eu não conhe­cia; deveria ser a moeda local. Alice tinha pensado em tudo mesmo.

Quando chegamos ao porto, procuramos o barco nº 4132. Procuramos não, fomos até ele, porque só tinha um barco no porto – estranho; igualmente como todo o resto. Edward foi pilotando o barco enquanto eu e Renesmee fomos olhando a paisagem. Realmente, o Panamá era muito bonito, exótico. O sol brilhava com uma intensidade incrível, o que fazia tudo ter mais cor, mais vida. O ambiente era muito agitado, caliente.

Em cima do painel, estava uma coordenada para Edward seguir. Pergun­tava-me se ele não sabia de tudo isso desde o começo, o que faria minha raiva aumentar ainda mais.

Todos os Cullen estariam lá, nos esperando com nossas caras de assusta­dos sem saber o que fazer, depois de rodar a quase toda América e se­guindo instruções via celular. Rose e Emmett também estariam lá, voltando da “faculdade”. É incrível como eu e Rose nos aproximamos desde que Renesmee nasceu. Ela sempre teve vontade de ser mãe, mas como vampiras não podem ter filhos, ela meio que se supre com Renesmee. Certa vez eu perguntei para Carlisle o porquê de vampiras não poderem ter filhos e sobre outras curiosidades vampiras.

- Bella, as vampiras não podem ter filhos por uma simples vantagem que nós temos, que no caso, se torna uma desvantagem. Ela não tem espaço para o filho se desenvolver. A pele de todos nós é dura, lisa e não se expande, ou seja, o feto morreria sem espaço – disse Carlisle, de modo não tão clínico – Nosso veneno é como o sangue dos humanos. É ele que, a partir da nossa alimentação, nutre nosso corpo e o sangue humano é que traz esses nutrien­tes. Então, um feto pode ser gerado a partir de Edward, que tem os esperma­tozóides, e você, que tinha espaço e óvulos maduros. Mas, você viu os pro­blemas que essa gestação trás. O sêmen humano está presente nos vampiros, de uma forma diferente claro, por isso se pode combinar com um óvulo humano.

- E por que não existem mais híbridos por ai?

- Porque é da natureza dos vampiros matarem humanos. É quase nula a possibilidade de um vampiro se aproximar de um vampiro, não importa que forma seja essa, sem querer matá-lo.

- Então, obviamente, não existem vampiros que nasceram vampiros, certo?

- Isso, eles só são transformados. Tirando o caso de Renesmee, que não é tecnicamente uma vampira, só meio vampira.

- Mas, ela poderá ter filhos? – especulei.

- Provavelmente sim. O lado humano dela é misturado com o lado vam­piro. Então, quando ela ficar grávida, terá uma pele expansível, mas super resistente. Se for com um vampiro, deverá ser como a mãe, híbrida. Já se for com um metamorfo...

- Não sabemos o que poderá gerar – completei, pensando no imprinting do Jacob. Isso era meio estranho.

- Nunca vi uma mistura de híbrido humano-vampiro e metamorfo. Se­ria um “vampimorfo” – brincou.

- É – eu ri – Um vampiro capaz de se transformar em morcego, que previsível – Carlisle explodiu em gargalhadas – Fale-me mais sobre nossa anatomia.

- Nós somos em geral parecidíssimos com humanos, por isso podemos nos misturar com facilidade – ele falou com euforia –, mas nossos cérebros são bem mais desenvolvidos. Temos muito mais neurotransmissores que os humanos, e menos serotonina, que nos dá esse comportamento agressivo desde quando “nascemos”. As substancias químicas que regulam o período do sono não existem em nós, por isso não dormimos. Nossos músculos têm um nível de fibras musculares altíssimo, que nos permite correr muito rápido e ter muita força. A pele tem continua protegendo o corpo, apesar de que nossas células epiteliais sejam reflexivas, por isso brilhamos ao sol. Um fluido semelhante ao veneno da nossa boca funciona como um lubrificante entre as células, o que torna possível o movimento, e este líquido é muito inflamável, por isso, só morremos se queimarem nossas células. Não choramos porque as lágrimas são fundamentais para lubrificar os olhos, evitando danos a ele, mas o que poderia causar tal problema aos olhos vampiros? Nós somos como as cobras: temos o veneno propriamente dito na boca para incapacitar as presas.

“O oxigênio, proveniente do sangue humano, é transportado pelas gêmeas vampiras da hemoglobina. Só respiramos para capturar os cheiros do ar e rastrear nossas presas.

“Durante nossa transformação, o veneno faz o trabalho de queimar suas células humanas, e ironicamente, só somos destruídos queimados. Du­rante essa “queima”, as células transformam-se em super células, que garan­tem nossa resistência.”

“Você sabe por que nossa garganta arde tanto quando estamos com sede?”

- Não, para falar a verdade.

- Eu tenho uma teoria bem fundada sobre isso, já que nunca consegui estudar a garganta de um vampiro vivo. Bem, os seres humanos têm pequenos pelos na garganta, que servem como filtros para purificar o ar. Quando nos transformamos, esses pelos se tornam mais fortes já que não precisamos respirar, eles adentram na garganta, e, quando estamos com sede, esses pelos saem da garganta e causam inflamação. Quanto mais tempo passa, essa inflamação aumenta e nos causa mais dor e agonia. O sangue humano é uma espécie de lubrificante, que acalma nossa garganta e faz com que esses pelos voltem para nossas gargantas, acabando com a inflamação.

- Interessantíssimo. E bizarro – estava adorando me aventurar por entre a história vampira. Mas onde estaria o topo no meio de tudo isso? Chegarei lá...