2 – Dietético
- VOU ORGANIZAR TUDO, NÃO SE PREOCUPE.
- Desculpe. Organizar o quê?
- Ora, boba, seu aniversário de casamento.
Realmente eu tinha esquecido que em pouco tempo seria meu aniversário de casamento. Três anos, como o tempo passa rápido. Há três anos eu ainda era uma mortal, acabara de me formar. Depois Alice deu aquela “inesquecível” festa que acabou resultando no acordo entre os Cullen e os lobisomens para acabar com Victoria. Olhei para minha pulseira; lá estava um pequeno lobo feito por Jacob ao lado do coração de Edward. Tempo. Agora não importava mais.
- Meu deus, é verdade. Mas Alice, já que eu não posso frear a força imbatível e natural sua, não quero nada exagerado, você sabe.
- Claro. Não se preocupe. Eu cuidarei de tudo – Uma sirene gritou em minha mente. Perigo.
- E Edward não vai saber? Bem, ele poderá ler em sua mente...
- Não pensarei nisso perto dele. Estou boa nisso. Tudo que eu faço eu tenho que esconder dele mesmo – nós rimos.
- Ah... Tudo bem. Faça o que quiser – concluí derrotada.
- Ótimo! Obrigada Bella.
- Eu que agradeço. Renesmee ficará bem feliz também. Todos nós ficaremos – fui sincera nesse ponto.
Descemos as escadas e lá estava Edward conversando com Jasper; Jacob abraçado com Renesmee e Carlisle conversando com Esme. Como sempre, Rose e Emmett estavam viajando para que todos pensassem que estavam na faculdade. Eu frequentei a faculdade por um ano, mais do que prometi para Edward. Foi muito divertido. A Faculdade do Alasca era enorme e meu curso de Literatura era bem curioso e extremamente fascinaste. Não precisei me enturmar para não parecer uma doente mental, todos na turma me amavam, o que definitivamente não era corriqueiro. O maior problema não era nem a sede, eram as lentes de contato castanhas que tinha que usar todos os dias; elas se derretiam graças ao veneno. Tinha que sair para o banheiro várias vezes ao dia, nada prático, porém, ninguém desconfiara de nada. Tive de dizer que fui transferida para a Dartmouth, para poder sair ilesa do Alasca. Literatura é um curso bem abrangente, e eu senti o que Shakespeare e Emily Brontë, meus ídolos, sentiam todos os dias, e, numa tentativa pueril, tentei escrever alguns poemas e textos secretamente – já bastava minha falha tentativa de história infantil – com o pseudônimo de Guilhermina Drelye. Charlie adorou a ideia, e ainda pensa que eu estou na faculdade, por isso, eu tenho que viajar com Edward e Renesmee constantemente, mas dessa vez, não viajamos, ficamos em Forks, em segredo. Vamos fazer uma surpresa e dizer que está tendo um feriado na faculdade, nada de mais para que ele desconfie. Pelo menos, ele não quer saber dos detalhes, para sua própria sanidade mental (amém).
- Renesmee, nós vamos visitar Charlie hoje, tudo bem?
- Oh! Que bom, estou com muita saudade de Charlie. Mas, mãe, pode me chamar de Nessie, eu não me importo – Jacob, que estava sentado ao lado dela, riu.
- Obrigada, Jacob – disse com ironia – Tudo bem amor, vou lhe chamar de Nessie também – mentira.
- Como vai Bella? – Carlisle se pronunciou. Alice me arrastara tão rapidamente que não houve tempo para falar com ele.
- Vou bem Carlisle. Esme, Jasper.
- Oi Bella – falaram os dois. Esme veio e me deu um abraço, mas Jasper ficou sentado. Ele nunca se acostumou em ser o elo mais fraco, mesmo depois de muito tempo. Às vezes, fraqueja como aconteceu no meu aniversário de 17 anos, mas eu não tenho mágoas, e ele sabe muito bem disso.
- Vamos caçar agora Edward? Quero extravasar.
- Claro. Alice, você quer caçar com nós? – Edward disse com tom irônico.
- Claro que quero – Alice riu - Jazz, eu volto logo.
- Não se preocupe; pode ir – Jasper deu um longo abraço em Alice.
- Voltamos logo. Jacob cuide bem de Nessie – foco na última palavra.
- Claro. Não se preocupe – ele riu.
- Como se eu precisasse de um lobo para me proteger – respondeu Renesmee. Jacob riu alto e a abraçou.
Saímos e seguimos para o norte e lá, Edward pegou um urso enorme. Como ele era lindo caçando, fazendo tudo, pra falar a verdade. Alice pegou dois veados. Com uma forma graciosa, ela voou pela floresta e atacou, sem chances. Nem parecia estar caçando. Já eu peguei um urso não tão grande quanto do Edward, entretanto, com muito menos esforço. Era uma coisa incrível caçar, seu lado vampiro te domina inteiramente, você só consegue sentir o sangue correndo nas veias da presa. Delicioso. Sentir seus dentes rasgando a pele do animal, o sangue saindo e você consumindo-o com voracidade. Tem também toda uma técnica. Onde morder, como morder, tudo e o pescoço era a parte preferida. Lá, o sangue sai muito fácil, não precisa de muito esforço, mas era como passar a vida bebendo Milk shake diet., ou seja, você nunca estará plenamente satisfeito. Nunca senti o gosto de sangue humano, pelo menos, não na forma de vampira. Tomei sangue humano só quando estava grávida de Renesmee e era realmente muito bom, mas tentava não pensar muito nisso.
Edward e Alice me encontraram e voltamos para casa. Lá estava Zafrina, ensinando Renesmee a controlar seus poderes – tornaram-se professora e aluna há alguns meses –, o que era muito estranho. Se ela consegue entrar na mente das pessoas, inclusive na minha, que tem um escudo, imagine o que ela pode fazer mais quando desenvolvesse suas habilidades.
- Como vai Zafrina?
- Tudo bem, Bella? Você tem que ver o que Nessie pode fazer.
- Renesmee – disse automaticamente, e soou como uma correção – Como vai o treinamento?
- Mãe, quer que eu lhe mostre?
- Não será arriscado? – contradisse Edward.
- Não se preocupe, ela sabe controlar seus poderes – respondeu Zafrina com orgulho – Mas Nessie, concentre-se bem.
- Tudo bem – Renesmee sempre se sentia confiante.
- Ok – aceitei – Pode me mostrar.
Ela parou e ficou me fitando por um longo momento, concentrada. Eu não estava entendendo nada até perceber que eu já não era mais eu. Era curiosíssimo, como se eu estivesse fora do meu corpo.
- Observem – disse Zafrina.
Todos na sala pararam e me observaram, todavia, eu não podia me mexer. Sentia Renesmee vasculhando minha mente e encontrando, nos cantos mais remotos, coisas que eu queria esconder, até mesmo de mim, e, como se alguém estivesse dentro de mim, controlando minha boca, falei:
- Eu amo o nome Nessie, obrigada Jacob.
Todos começaram a rir. Definitivamente, eu nunca teria falado aquilo. Para não parecer uma completa idiota, comecei a rir também.
- Que ótimo Bella. Agora vejo que você não tem mais problemas com esse nome – Jacob falou com ironia.
- Calado cachorro – Monstro do Lago Ness, que ridículo.
- Zafrina, pode explicar melhor o que aconteceu? – perguntou Edward.
- Claro, quando começamos a treinar, vi que Nessie – ela riu – conseguia entrar na mente das pessoas e mostrar o que ela quisesse; o oposto do que você faz. Então percebi que, se ela pode entrar e colocar o que ela quiser na mente de qualquer um, até de Bella, então ela pode controlar.
- Entendo, mas explique melhor – disse Carlisle.
- Bem, ela consegue colocar a mente dela, com vontades, sentimentos e forças, dentro da mente das pessoas. É como se a alma dela entrasse no corpo da pessoa que ela quiser; uma dupla Nessie. Apesar dela está fazendo isso com um pouco de esforço, daqui a algum tempo, ela fará naturalmente.
- Legal – Renesmee falou.
- Vamos agora à casa de Charlie, Renesmee? – o bobo da corte queria fechar as cortinas.
- Vamos. Tchau Jake – ela disse dando-lhe um beijo.
- Vamos Edward. Renesmee, só não se esqueça que você não pode colocar seus pensamentos na mente de Charlie. Ele não entende o que somos nós, tudo bem?
- Claro, eu vou só falar.
- Voltamos rápido – falei e acenei para todos.
Saímos até a garagem. Lá estavam todos os carros dos sonhos de qualquer pessoa, até mesmo os não amantes de carro: pretos, grandes, caros, brilhantes, inclusive o meu carro de “antes”, minha Mercedes Guardian. Quatro mil quilos de proteção corporal e vidros com blindagem à prova de mísseis. Muitíssimo engraçado. Edward e seu senso de humor doentio. Mas aquele caro me dava nostalgia, da minha alta necessidade de proteção, meu casamento, minha maravilhosa lua-de-mel, minha transformação. Acho que aquele carro acionava um ponto em meu novo cérebro que significava tudo o que eu vivi antes, por isso, não queria me desfazer dele. Talvez, eu ainda volte à Ilha de Esme, quem sabe (ainda não me acostumei com a ideia de uma pessoa ganhar uma ilha de presente).
Dirigimo-nos até o Volvo. Agradeci aos céus por não precisar colocar as lentes de contato. Não precisar mais mentir sobre a cor dos meus olhos para Charlie era um conforto, e a forma dele pensar (não querendo saber dos detalhes) era muito útil mesmo, e sem falar que, o amarelo ficava muito melhor, mas, no dia que revelei meus novos olhos, foi um choque.
- Bella! O que é isso? – a veia do seu pescoço pulsava assustadoramente. Tentei olhar para outro lugar.
- Meus olhos... – nossa, o sapato que Alice me dera era bonito...
- Não, esses não são seus olhos!
- Esses são meus novos olhos, pai. Não sei por que você está fazendo esse estardalhaço todo. Lembra da sua nova filosofia de vida?
- Claro, mas...
- “Não quero saber dos detalhes”. Então? – não queria brigar com meu pai, por isso encurtei logo o sermão sem nexo.
- Ok, tudo bem – o ouvi contar até dez, tentando se acalmar – Mas, é bem estranho. Parece que não é mais... você – ele sussurrou.
- Pai, é claro que sou eu...
- Eu sei, desculpe-me. Tudo bem filha. Nada de detalhes.
- E só para constar, você nunca fez alarde com os olhos dos Cullen, e não sei se você percebeu, são da mesma cor.
- É verdade; como vai Nessie? – ele logo tratou de mudar de assunto.
Voamos até a casa de Charlie durante a viagem, consegui ver Leah, que nos encarava ameaçadoramente na forma de lobo. Ela desviou o olhar e sumiu pela floresta.
Quando chegamos, a viatura estava parada na porta da casa. Outra coisa que acionava um ponto em meu cérebro: aquela casa. Tudo de bom, e ruim, que tinha me acontecido ali, fora tão intenso; as noites que Edward passava na minha janela, quando ele tinha ido embora, o vazio em meio peito; o estranho vampiro que tinha levado minhas roupas; James, Laurent, Victoria, Volturi, tudo, aquela casa fazia um filme na minha cabeça. O gênero me assustava, confesso.
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