sábado, 25 de junho de 2011

7 – Fósforo

7 – Fósforo

EU QUERIA MORRER.

Com toda convicção existente no nosso vasto universo, eu queria morrer.

- SURPRESA! – gritaram todos os Cullen de uma só vez, numa fúnebre sincronia.

As luzes se acenderam e nós pudemos ver que a casa era maior por den­tro do que por fora. Tinha traços clássicos e muito luxuosos, com móveis antiquados e modernos, uma escada em espiral com degraus dourados e colu­nas que faziam a sala parecer o Coliseu. Decorações festivas estavam por to­dos os lados: balões, laços, fitas, tudo; só faltava mesmo um bolo branco de três andares com os noivinhos em cima para completar a cafonice toda. Esta­vam todos perto de um sofá roxo bem grande com um sorriso enorme, prin­cipalmente o de Emmett, que deveria está adorando minha desorientação. Eu estava errada em ter dito um dia que Forks era meu inferno particular na terra. Não, aqui era meu inferno particular na terra, e eu estava rezando para que um meteoro caísse aqui nesse exato minuto.

- Parabéns queridos! – falou Esme, sempre adorável.

- E aí, o que vocês acharam? – perguntou Alice saltitando.

- Eu não sei bem, acho que minha consciência ficou em Forks – falei, com uma voz aguda e irritante, e todos riram.

- Bella, Edward, esse é seu presente de casamento – falou Alice explo­dindo de euforia.

- Essa casa? – indagou Edward.

- Não, essa ilha! – falou Alice e eu queria morrer duplamente. Nunca me acostumei com a ideia de Esme ter ganhado uma ilha de Carlisle, a Ilha de Esme no Rio de Janeiro, imagine eu ter minha própria ilha – Bem vindos a Ilha Bella!

- Uau! Que máximo! – falou Renesmee.

- ALICE, VOCÊ FEZ A GENTE RODAR A METADE DA AMÉRICA PARA NOS DÁ UMA ILHA? – gritei perplexa.

- Isso! Não é o máximo? – ela disse como se fosse a coisa mais natural do mundo.

- Definitivamente isso foi o máximo da criatividade de uma pessoa, o que faz a sanidade mental desaparecer.

- Eu não acredito, obrigado Alice, Esme, Carlisle, Rose, Emmett e Jas­per – falou Edward – Isso foi... surpreendente.

- Alice, qual foi a parte do “nada exagerado” que você não entendeu?

- Ora, eu fiz uma coisa simples. Não tem nada rosa por aqui, tem?

- VOCÊ NOS FEZ VIAJAR PARA O PANAMÁ E NOS DEU UMA ILHA! – e eu continuava gritando.

- Então, simples assim – ela falou com uma cara inocentemente angeli­cal que se eu não a conhecesse, cairia piamente – Estou brincando, isso foi o máximo do que eu já fiz até hoje! Já que no ano passado eu não fiz nada, tive que caprichar nesse ano. Mas nunca poderemos deixar de agradecer a Benja­mim. Essa ilha foi ele que criou, acredita? Ele simplesmente olhou no oceano vazio e fez essa ilha subir! Foi incrível.

Estavam destruindo a crosta terrestre só para me dar um fútil presente de casamento. Realmente incrível.

- Eu te avisei – disse Edward.

- Estou adorando tudo isso – falou Emmett com frenesi.

- Jasper, por favor, acalme Bella – falou Edward.

Automaticamente me senti muito mais calma, em paz; o poder de Jas­per era muito útil mesmo.

- Obrigada Jasper – falei, vendo que não deixara minha consciência em Forks – Devia ter um de você no meu bolso.

- E então, preparados para a festa? – disse Alice enquanto ligava o som.

A música era bastante agitada, e depois que Jasper me acalmou, eu até que estava mais animada, porém, cansada, se é que isso é possível. Alice co­meçou a dançar com Jasper e Emmett conversava com Carlisle. Rose estava mostrando à Renesmee seu vestido e Esme veio falar conosco.

- Novamente, parabéns! Espero que vocês façam várias festas de aniversário de casamento. Gostaram do presente? – disse Esme, com um corte de cabelo dife­rente e moderno.

- Ainda não processei ter ganhado uma ilha e ainda por cima, com meu nome.

- Esse nome foi ideia minha, mas a ilha, foi de Alice.

- Foi muita gentileza sua, Esme, nós agradecemos – disse Edward.

- Claro, claro. Muito obrigada Esme – completei.

- Isso não foi nada, Bella. Eu vi o quanto vocês gostaram da minha ilha que de­cidi dá uma só para vocês. Será como uma nova lua-de-mel.

- Mas essa casa nem parece com a sua, Esme. Ela é muito maior e muito mais... – extravagante, pensei – elegante.

- Nós fizemos essa casa totalmente revestida de aço para que ela não dure até amanhã – nós rimos, bem, eles riram, eu apenas grunhi.

- Não se preocupe Esme, nós teremos cuidado – disse Edward. Aquele assunto não me deixava muito à vontade.

- Que bom, aproveitem agora, a casa e a festa.

Apesar de que o veneno mortal injetado em minhas veias não estarem mais fazendo efeito, e minha desorientação, raiva e vontade de morrer terem passado, eu estava feliz por todos estarem felizes. Alice dançava com uma le­veza que parecia levitar, e com uma velocidade, que se eu não estivesse pres­tando tanta atenção, eu não saberia ao certo em que posição ela estava; até Jasper, que era o mais tímido e reservado, estava bem à vontade e dançando, não como Alice, mas para ele, isso era muita coisa. Emmett veio falar comigo com um sorriso de orelha a orelha, dizendo que adorou minha cara de “quem tem um fósforo pra eu me matar?” e me desejou felicidades; apesar de ser o que mais me atormenta (um dos; o páreo era feio ao lado de Alice), ele era um doce.

Renesmee estava com um prato de salgadinhos na mão, que Alice prepa­rou especialmente para ela, enquanto ela ligava para Jacob. Pela sua cara, ele estava para vir correndo de Forks até Miami, depois nadar até o Panamá, e encontrar minha ilha (meu deus, eu tenho uma ilha!) só para vê-la, o que ela não acharia ruim.

A festa durou horas; essa era a vantagem de ter uma ilha, não importa o volume do som nem a duração da festa, estamos sozinhos no meio do oceano e ninguém vai nos incomodar. Estou perplexa com essa notificação.

Nunca entendi bem como alguém pode ter posse de uma ilha, mas conhe­cendo Alice, acho que ela me daria Marte e levaria alces e ursos para lá (sabendo que eles iriam morrer) só para me (irritar) presentear.

Eu e Edward dançamos, mas decidimos conversar sobre isso tudo de­pois, quando estivéssemos a sós. Era bom não estar cansada nem precisar dormir; eu não queria perder aquilo por nada desse mundo, aquele momento maravilhoso com as pessoas que eu realmente amo – eu devo ser bipolar, há uma hora eu queria morrer e agora eu estou adorando. Porém, Renesmee não tinha essa regalia da vida vampira, por isso ela estava dormindo em um quarto do segundo andar.

- Bella, nós temos que ir, nosso avião sairá daqui à uma hora – disse Alice depois de horas de festa.

- Tem que ir, como assim?

- Querida, você não acha que nós vamos ficar aqui atrapalhando sua lua-de-mel, não é?

- Mas, Alice, vocês não atrapalham em nada.

- Não, nós iremos. Você e Edward terão um tempo a sós e depois vo­cês voltam para Forks. Com tantas coisas para fazer, nem se lembrarão de nós – ela riu.

- E Renesmee? – perguntei; Edward já sabia a resposta mais parecia tão desorientado quanto eu.

- Ela irá conosco; não se preocupem. Vocês ficarão aqui por uma se­mana. Seus passaportes e todos os documentos estão aqui, e tem sangue de urso e veados para vocês não precisarem caçar. Eu pensei em tudo.

- Claro que pensou Alice.

- Pois, bem, agora vamos – disse Rose descendo as escadas com Renes­mee ainda sonolenta.

- Você vai ficar bem, Nessie? – perguntou Edward.

- Claro que sim, e eu preciso ver Jake. Ele já deve estar nadando até aqui se duvidar.

- Tudo bem, pode ir.

Eu e Edward demos um longo abraço em Renesmee e em todos os Cul­len. Os acompanhamos até o barco; a areia parecia bem gelada, e branca ao luar, e o mar estava negro, porém calmo. Quando eles não estavam mais a vista eu e Edward entramos e sentamos no sofá roxo. Até que eu tinha gos­tado dele.

- Ai. Que dia – ele falou enquanto nos jogamos no imenso sofá.

- Que dia – repeti.

- O que você achou? – ele perguntou enquanto ele me colocava no colo.

- Olhe para tudo isso; é tudo lindo, e assustador.

- Como assustador?

- Não sei, é muita coisa para mim. Ganhar uma ilha e com meu nome.

- Ilha Bella, não tinha nome mais perfeito para essa ilha perfeita – ele olhava para meus olhos, intensos e misteriosos. Estar tão perto dele era como está no céu; eu toquei no seu rosto para ver se isso era verdade.


- Tenho que concordar, essa ilha é muito bonita. Mas eu nunca vou me acostumar em ter uma ilha. “Oi Bella, onde você esteve?” “Ah, você sabe, na
MINHA ILHA!” – entrei em pânico só em relatar aquela provável conversa com alguém e Edward riu.

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