segunda-feira, 4 de julho de 2011

10 – Pressão

10 – Pressão

- QUANDO OS CASEIROS CHEGARÃO?

- Pela hora – Edward olhou para o enorme relógio dourado da parede oposta que marcava “08h 57min” – em uma hora aproximadamente.

- Quando nós iremos?

- Quando você quer ir?

- Ah, não vou mentir. Eu queria ir hoje – retruquei – Não aguento mais ficar longe da Renesmee.

- Eu sei, também estou com saudades. Bem, iremos mais tarde. Depois, quando o caseiro chegar, nós pegamos o barco e voltaremos.

- Mas teremos que tomar cuidado para não sairmos brilhando por aí.

- Não se preocupe, iremos com umas blusas bem compridas que vi no clo­set. Você viu o tamanho daquilo? Nós ficamos uma semana e Alice colocou tantas roupas que poderíamos passar a eternidade aqui – nós rimos.

- Definitivamente, eu quero sair daqui sem entrar naquele closet.

- Tudo bem. Vamos esperá-lo lá na entrada – disse, terminando o san­gue. Ele pegou meu copo e levo-os até a pia. Lavo-os e fomos para o hall de entrada. Guardamos em minha bolsa os passaportes junto com todos os do­cumentos para a viagem.

O Coliseu (passei a chamar aquela sala assim) estava muito iluminado com uma luz alaranjada que dava a sensação de calor. O sofá roxo parecia muito berrante com aquela luminosidade e nossa Capela Sistina, muito mais viva e real.

Ficamos assistindo televisão por um longo tempo. A tevê, que tinha pelo menos umas 50 polegadas, estava mostrando notícias em espanhol, fa­zendo com que Edward desse uma de interlocutor “tevê-eu” – meu espanhol não era tão bom assim. Ao que eu en­tendi sozinha, hoje marcava a maior temperatura do semestre, o que eu não tinha a mínima ideia, pois fazia muito tempo que eu não sei o que é calor. Na tevê, um documentário sobre Einstein nos distraía.

- Sabe; eu estava pensando. Antes mesmo de Renesmee nascer, eu só pensava em uma frase de Albert Einstein. Perguntaram a ele se ele teria um filho com Marilyn Monroe. Ele respondeu: “Não! Vai que ele nasce com mi­nha beleza e a inteligência dela!” – nós rimos – Eu desejava que Renesmee nascesse com sua beleza e sua inteligência. É, acertei.

Edward revirou os olhos e contradisse:

- Não, ela nasceu com seus olhos e não venha me dizer que eu sou me­lhor que você.

Deixei a conversa pairando no ar.

Quando assistíamos a uns clipes, o caseiro finalmente chegou. Flutuamos até a porta e vimos a típica estatura dos latino-americanos: ele tinha o rosto redondo, bronzeado, cabelos escuros como breu e uma expressão muito alegre. O ar latino era inegável; usava uma cami­seta verde-limão que se contrastava com o resto da sala. Logo atrás dele, havia uma mulher elegante para a idade que provavelmente teria uns 40 anos; era alta, com a pele acobreada e os cabelos castanhos da cor de mel, usava um belo vestido longo branco, bem solto e leve, que dava a sensação de que ela não caminhava, flutuava.

- ¡Hola! ¿Qué tal? – falou o homem com o rosto mais simpático do que quando entrou. A mulher no olhava com uma cara tranquila, como se já nos conhecêssemos.

- ¡Estoy muy bien, gracias! – respondeu Edward, em um espanhol impe­cável (eu só entendia – ou não – graças às aulas de Edward).

- ¿Cuál su nombre?

- Edward. E-D-W-A-R-D – soletrou; o homem não conseguia pronunciar muito bem. Só falava “Elduardi” – Y esa es mi esposa, Bella – eles olharam para mim e eu dei um sorriso em resposta – ¿Y o seo?

- Me llamo Roberto. Esa es mi esposa, Mary.

- Prazer em conhecê-los – disse Mary, em um inglês muito fluente.

- Você fala inglês?

- Sim, eu vivi muito tempo nos Estados Unidos e aprendi inglês. Meu marido é que nunca aprendeu, sempre diz que quer falar somente a língua de seus ancestrais – a mulher olhava para o marido com uma cara de repreensão –, mas às vezes, ele enrola e fala uma mistura de espanhol com inglês. “Espan­glês”.

- Ah, eu entendo. Bem, vocês já conhecem a casa?

- Ah, sim, já conhecemos. Alice já nos mostrou tudo antes de todos vo­cês chegarem.

- Claro que sim – falei, e Edward segurou o riso antes mesmo que eu falasse.

- Tudo bien ahora. Ustedes podem ir – falou Roberto, usando o “Espan­glês”.

- A lancha está esperando vocês na praia. Nós cuidaremos de tudo – falou Mary – Podem ir quando quiserem.

- Ok, agora nós iremos. Gracias Roberto – vir-me-ei para Roberto.

- Um momento... – interrompeu Mary.

Antes mesmo do som das palavras de Mary chegar aos meus ouvidos, avistei uma menina flutuando graciosamente pela areia em nossa direção. Ti­nha cabelos tão negros que ao sol brilhavam azuis, o que contrastava com sua pele branquíssima. Vinha com um chapéu enorme, acima de um óculos escuro muito bonitos, blusas e calça compridas. Juro que por um milésimo de se­gundo, quando o sol bateu em um pedaço minúsculo da sua pele descoberta, vi brilhar com diamantes. Só havia uma conclusão. Vampira.

Olhei para Edward, que não estava assim tão surpreso quanto eu. Pelo visto, já tinha visto a garota na mente dos “pais”.

- Essa é nossa filha, Claire – ela se postou ao lado de Roberto e Mary a abraçou.

- Desculpe a indelicadeza, mas ela é mesmo sua filha? – perguntei.

- Acho que você entendeu Bella. Não, ela é uma vampira.

- Mas como assim? Como você pode ficar perto deles sem matá-los? – perguntei para Claire.

- Da mesma maneira que vocês, mas aprendi de forma muito mais difí­cil – sua voz era grave e melodiosa. Apesar da aparência um pouco juvenil, tinha voz de anciã.

- Nós a encontramos há uns dez anos e ela disse que queria cuidar de nós. Não entendemos muito bem. Uma menina, cuidar de nós?, perguntei a mim mesma. Ficamos estarrecidos com a beleza dela.

- Eles ficaram muito assustados quando soube o que era eu. Mas nunca me abandonaram, nem me descriminaram. Apenas cuidaram de mim, e vice-versa. Mas eu nunca fui completa, entendem? Eu nunca tive uma orientação, nunca soube o que fazer. E eu quero ir com vocês.

- O que? – perguntei – Você quer deixar seus pais?

- Eu os amo muito, mas quando eles me contaram de Alice, e toda sua família vampira, eu vi que poderia ser realmente feliz. Carlisle já disse que me acolhe como filha, e se vocês também me acolhessem, eu ficaria muito feliz.

- Meu deus, nossa...

- É claro que você pode ir conosco, Claire. E eu estou vendo que seu poder é inacreditável – disse Edward.

- Obrigada.

- O que você faz Claire?

Ela respondeu; certamente, eu nunca me esquecerei daquela resposta. Ela não veio com palavras, e sim, com um ato. Eu comecei a flutuar, até che­gar bem perto do teto.

- Ela pode controlar a gravidade – respondeu Edward.

Coloquei meu escudo, mas nada. Aquele poder não é mental, era físico. Realmente impressionante.

- Viu Bella? Não é um poder mental. Claire, você tem ideia do quanto você é poderosa? – Edward retrucou.

- Bem, eu entendo, mas eu acho que posso fazer muito mais coisas. Con­sigo controlar a pressão da atmosfera ao meu redor ou ao redor do que eu quero.

- Incrível – Edward estava maravilhado.

- Mas, você conhece os Volturi? – perguntei já ao chão.

- Sim, conheço. Estou indo com vocês não somente por mim, mas pe­los meus pais. Se os Volturi souberem sobre eles, com certeza farão o mesmo que fizeram com você Bella. Obrigar-me-ão a transformá-los.

Senti o ar ficar mais pesado, quase palpável. Era claro que ela queria protegê-los. Eu a entendia perfeitamente.

- Você pode vir conosco, Claire – repeti o que Edward já havia dito – Ficaremos muito felizes com isso.

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