sábado, 6 de agosto de 2011

16 – Santidade

16 – Santidade

- J? O QUE É UM “J”? – PERGUNTOU JACOB. ZAFRINA TAMBÉM FEZ A mesma expressão.

- J. Jenks é um falsificador de documentos.

- Falsificador? – Jacob me olhou com um olhar estranho – O que você quer com um falsificador?

- Bem, quem quer que tenha mandado esse envelope, com certeza ten­tará nos seguir, e como Alice disse, basta olhar na lista de passageiros. Se nós não formos nós – Alice riu com a lógica que ela mesma criou – eles não sabe­rão quando iremos.

- Claro! Isso é uma ótima ideia, Bella, mas, será que temos tempo?

- Temos que arrumar algum, Ed.

- Você quer que eu cuide disso? – perguntou Jasper.

- Se você quiser matar o pobre J, à vontade. Não Jasper, deixe que eu cuido disso.

- Alguém aqui tem documentos falsos? – perguntou Claire.

- Bem, Jacob tem. Eu mesmo providenciei o dele...

- Sério? Quando? – indagou Jacob.

- Isso é uma conversa para outra ocasião.

- Todos nós aqui temos. Menos você e Claire – disse Alice, virando-se para mim.

- Tudo bem, eu vou agora até o J. Quanto mais cedo iremos, mais cedo podemos ir até Renesmee.

- Você quer que eu a acompanhe? – perguntou Edward, segurando mi­nha mão.

- Claro que sim, amor. Eu tenho que ter você comigo todo o instante.

- Estarei. Sempre – ele me beijou e rapidamente falou – Vamos nos tro­car. Alice prepare tudo para a viagem. Quando chegarmos, uma boa parte já deve está pronta.

Alice deu uma olhadela no futuro e respondeu com um sorriso: Estará.

- Edward, eu não sabia que você conhecia o J – falei, enquanto estáva­mos na mansão-closet procurando roupas adequadas.

- Ah, Alice não é tão perfeita assim. Ela pensou nele uma vez, e pronto. A verdade é que eu nunca vi esses meus documentos, pelo menos não esses, só pela cabeça de Alice, claro. Ela sempre está a dois passos a nossa frente.

- É verdade. Alice é demais.

- E você disse que já tinha os documentos de Jacob. Isso é dá época da última visita – Edward fez força para dar ênfase nessa palavra – dos Volturi?

- Foi, para se alguma coisa acontecesse conosco – tentei passar um ar cético; consegui até ver os documentos de Renesmee. Meu coração apertou ainda mais.

- Eu sei querida – disse ele enquanto pegava um maço de dinheiros – Não se preocupe. Nós vamos achá-la no Chile, eu estou sentindo.

Sentir aquilo me deixou mais entusiasmada, felizmente. Só em estar no modo ação já fazia o dia um pouco melhor.

- Nossa! Finalmente você está vestindo algo mais “Alice” – riu-se a própria.

- Vou tratar de negócios, tenho que ir a “caráter”, infelizmente – ela estudava meu vestido de seda (argh) e o longo casaco de cima a baixo.

- Você também esta muito elegante, Edward – constatou Zafrina. Ele­gante é pouco. Um deus de terno.

- Você que é uma deusa, amor – Edward me abraçou.

- Não temos tempo para isso. Temos que correr até J.

- Por favor, vão rápido... – choramingou Jacob.

- Não se preocupe Jake. Vou voando se preciso – falei enquanto pas­sava a mão naquele rosto tão destruído.

- Voe.

- Não se esqueça de começar a preparar tudo para a viagem, Alice.

- Já começamos – respondeu Carlisle.

- Ah, ia me esquecendo. Claire, você pode me dá uma foto sua? Para os documentos?

- Claro que sim, vou pegá-la – ela correu até o andar de cima.

- Edward. Devemos ir até o escritório principal? – perguntei já no meio do caminho. Olhava da foto de Claire para o tapete do carro a fim de que não visse os olhares penetrantes “das milhares de Renesmees” que me encaravam na estrada.

- Devemos, sim. Eu nunca fui até lá, mas vi o local na mente da Alice, e o escritório onde fica o tal Max é horrendo, convenhamos, mas tenho certeza de que ele adoraria vê-la novamente.

Lembrei-me da minha última visita há tanto tempo atrás, mas que es­tava fresca na minha cabeça. Edward riu baixinho.

- É impossível não notar você, querida – ele concluiu.

Ai, Max. Até hoje eu lhe devo uma.

Edward parou olhando para mim e suspirou. Tentei me manter descon­traída.

- Amor, eu sei como dói você olhar para... a foto dela...

- As fotos dela. Em todo lugar que eu vá, as letras pretas pulam em meus olhos. “Você viu essa garota?”. Eu me pergunto isso todo dia, não pre­ciso de milhares de placas me dizendo isso.

- Querida, você sabe onde estamos indo? – ele olhava para mim com olhos serenos. Olhei para a estrada sem entender aquela linha de raciocínio.

- Para o J?

- Fazer o que?

- Ora, conseguir os documentos.

- Para que finalidade? – estava me cansando daquele joginho.

- Para ir até o Chile resgatar nossa filha! – minha voz ficou aguda e irri­tante.

- Isso, Bella! Você não ver que ela está quase novamente aqui?

A única Renesmee que estava realmente aqui era a que estava pregada a um poste na curva que Edward fez. Não precisei olhar para a estrada, já que sabia perfeitamente onde todas as chorosas Renesmees estavam.

- Espere!

Estávamos parados em frente à placa “JASON SCOTT, PROCURADOR DA LEI” quando percebi uma coisa.

- O que foi Bella? – Edward me arregalou os olhos e olhou em volta.

- Edward – sussurrei – Estamos cometendo um crime!

Ele deu uma crise de risos que pensei que seu abdômen iria se partir ao meio.

- Eu sei Bella, mas nós não estamos fazendo isso para prejudicar nin­guém, apenas para nos proteger. E o mais irônico é que aqui está escrito “Procurador da Lei”. Da Lei. Humor negro total.

Tive que rir com ele.

A cor do escritório, que antes era bege com verde, agora era violeta com um azul bem suave, e sua antiga secretária, April, estava centrada no mesmo lugar que da última vez, mas agora parecia um pouco mais madura e seus cabelos agora eram castanhos. Usava um perfume dulcíssimo que parecia que eu estava respirando algodão-doce. Um tanto incômodo. Lembrou-me vagamente o cheiro da morte de vampiros. Aquela ideia ajudou em nada. Edward apertou minha mão em concordância.

- Bom dia. Posso ajudá-los? – nos cumprimentou.

- Sim, estamos aqui para ver o Sr. Scott.

- Vocês têm hora marcada? – o mesmo diálogo da última vez.

- Não, somos clientes prioritários.

- Ah, sim. Nomes, por favor? – ela perguntou enquanto postava suas mãos em cima do teclado do computador.

- Senhor e Senhora Cullen.

- Um momento, por favor – ela começou a digitar febrilmente – Tudo certo, vou solicitar o Sr. Scott.

Ela levou o telefone ao ouvido e discou um número. Um segurança vindo do nada apareceu ao corredor lateral, que dava acesso a sala de J.

- Sr. Scott. Temos clientes aqui.

Estou um pouco ocupado. J nunca mudou seus modos com a pobre April.

- Eles são clientes prioritários, senhor – ela falou com um pouco de vergonha na voz.

São os Johnson?

- Não senhor. São os Cullen.

Senti o nervosismo através do telefone. Deixe-os entrar imediatamente. Só atenderei qualquer outro cliente quando eles saírem entendeu? Nem mesmo que seja sua santidade, o Papa.

- Tudo bem, senhor – April desligou o telefone, fez um movimento com a mão e o segurança se aproximou.

- Sigam-me, por favor.

Seguimos o guardarroupa ambulante até a sala de J. Ao contrário de April, ele não nos ofereceu nada – na realidade, ele falou nada. Quando a porta se abriu, seguida com o te­nor estressado de “Feche a porta, Gabriel”, vi que o escritório de J estava muito mais high-tech. A mesa era bem maior, quase uma de reunião. Uma enorme televisão de plasma nos saudava e refletia-nos, e as luzes eram azula­das, dando uma profundidade incrível. Se estivéssemos vendo através de um vidro, pensaríamos que a sala era um aquário gigante. Nossa atenção se voltou ao centro quando J falou.

- Bella, que prazer revê-la depois de tanto tempo! Você está deslum­brante como sempre – ele se levantou e se aproximou. Uma brilhante gota se suor escorregou pelo seu rosto, apesar do ar condicionado. Usava um elegante terno risca-de-giz sobre um corpo mais magro. Não havia dúvidas, o mundo de J estava bem melhor.

- Depois de tanto tempo, verdade. Esse é meu marido Edward.

- Que imenso prazer conhecê-lo Sr. Cullen. Finalmente nos conhece­mos.

- O prazer é inteiramente meu, Sr. Scott – eles deram um aperto de mão. J arrepiou-se.

- Chame-me de J, como Bella me chama. Posso chamá-lo de Edward?

- Certamente.

- Sentem-se, sentem-se – ele foi atrás do muro que nos dividia e nós nos sentamos a sua frente, em cadeiras vermelhas enormes e confortáveis (pelo menos isso me pareceu). A próxima pergunta dele soou uma tensão tão evidente que ele se envergonhou e corou – Como vai o Sr. Jasper?

Nenhum comentário:

Postar um comentário