16 – Santidade
- J? O QUE É UM “J”? – PERGUNTOU JACOB. ZAFRINA TAMBÉM FEZ A mesma expressão.
- J. Jenks é um falsificador de documentos.
- Falsificador? – Jacob me olhou com um olhar estranho – O que você quer com um falsificador?
- Bem, quem quer que tenha mandado esse envelope, com certeza tentará nos seguir, e como Alice disse, basta olhar na lista de passageiros. Se nós não formos nós – Alice riu com a lógica que ela mesma criou – eles não saberão quando iremos.
- Claro! Isso é uma ótima ideia, Bella, mas, será que temos tempo?
- Temos que arrumar algum, Ed.
- Você quer que eu cuide disso? – perguntou Jasper.
- Se você quiser matar o pobre J, à vontade. Não Jasper, deixe que eu cuido disso.
- Alguém aqui tem documentos falsos? – perguntou Claire.
- Bem, Jacob tem. Eu mesmo providenciei o dele...
- Sério? Quando? – indagou Jacob.
- Isso é uma conversa para outra ocasião.
- Todos nós aqui temos. Menos você e Claire – disse Alice, virando-se para mim.
- Tudo bem, eu vou agora até o J. Quanto mais cedo iremos, mais cedo podemos ir até Renesmee.
- Você quer que eu a acompanhe? – perguntou Edward, segurando minha mão.
- Claro que sim, amor. Eu tenho que ter você comigo todo o instante.
- Estarei. Sempre – ele me beijou e rapidamente falou – Vamos nos trocar. Alice prepare tudo para a viagem. Quando chegarmos, uma boa parte já deve está pronta.
Alice deu uma olhadela no futuro e respondeu com um sorriso: Estará.
- Edward, eu não sabia que você conhecia o J – falei, enquanto estávamos na mansão-closet procurando roupas adequadas.
- Ah, Alice não é tão perfeita assim. Ela pensou nele uma vez, e pronto. A verdade é que eu nunca vi esses meus documentos, pelo menos não esses, só pela cabeça de Alice, claro. Ela sempre está a dois passos a nossa frente.
- É verdade. Alice é demais.
- E você disse que já tinha os documentos de Jacob. Isso é dá época da última visita – Edward fez força para dar ênfase nessa palavra – dos Volturi?
- Foi, para se alguma coisa acontecesse conosco – tentei passar um ar cético; consegui até ver os documentos de Renesmee. Meu coração apertou ainda mais.
- Eu sei querida – disse ele enquanto pegava um maço de dinheiros – Não se preocupe. Nós vamos achá-la no Chile, eu estou sentindo.
Sentir aquilo me deixou mais entusiasmada, felizmente. Só em estar no modo ação já fazia o dia um pouco melhor.
- Nossa! Finalmente você está vestindo algo mais “Alice” – riu-se a própria.
- Vou tratar de negócios, tenho que ir a “caráter”, infelizmente – ela estudava meu vestido de seda (argh) e o longo casaco de cima a baixo.
- Você também esta muito elegante, Edward – constatou Zafrina. Elegante é pouco. Um deus de terno.
- Você que é uma deusa, amor – Edward me abraçou.
- Não temos tempo para isso. Temos que correr até J.
- Por favor, vão rápido... – choramingou Jacob.
- Não se preocupe Jake. Vou voando se preciso – falei enquanto passava a mão naquele rosto tão destruído.
- Voe.
- Não se esqueça de começar a preparar tudo para a viagem, Alice.
- Já começamos – respondeu Carlisle.
- Ah, ia me esquecendo. Claire, você pode me dá uma foto sua? Para os documentos?
- Claro que sim, vou pegá-la – ela correu até o andar de cima.
- Edward. Devemos ir até o escritório principal? – perguntei já no meio do caminho. Olhava da foto de Claire para o tapete do carro a fim de que não visse os olhares penetrantes “das milhares de Renesmees” que me encaravam na estrada.
- Devemos, sim. Eu nunca fui até lá, mas vi o local na mente da Alice, e o escritório onde fica o tal Max é horrendo, convenhamos, mas tenho certeza de que ele adoraria vê-la novamente.
Lembrei-me da minha última visita há tanto tempo atrás, mas que estava fresca na minha cabeça. Edward riu baixinho.
- É impossível não notar você, querida – ele concluiu.
Ai, Max. Até hoje eu lhe devo uma.
Edward parou olhando para mim e suspirou. Tentei me manter descontraída.
- Amor, eu sei como dói você olhar para... a foto dela...
- As fotos dela. Em todo lugar que eu vá, as letras pretas pulam em meus olhos. “Você viu essa garota?”. Eu me pergunto isso todo dia, não preciso de milhares de placas me dizendo isso.
- Querida, você sabe onde estamos indo? – ele olhava para mim com olhos serenos. Olhei para a estrada sem entender aquela linha de raciocínio.
- Para o J?
- Fazer o que?
- Ora, conseguir os documentos.
- Para que finalidade? – estava me cansando daquele joginho.
- Para ir até o Chile resgatar nossa filha! – minha voz ficou aguda e irritante.
- Isso, Bella! Você não ver que ela está quase novamente aqui?
A única Renesmee que estava realmente aqui era a que estava pregada a um poste na curva que Edward fez. Não precisei olhar para a estrada, já que sabia perfeitamente onde todas as chorosas Renesmees estavam.
- Espere!
Estávamos parados em frente à placa “JASON SCOTT, PROCURADOR DA LEI” quando percebi uma coisa.
- O que foi Bella? – Edward me arregalou os olhos e olhou em volta.
- Edward – sussurrei – Estamos cometendo um crime!
Ele deu uma crise de risos que pensei que seu abdômen iria se partir ao meio.
- Eu sei Bella, mas nós não estamos fazendo isso para prejudicar ninguém, apenas para nos proteger. E o mais irônico é que aqui está escrito “Procurador da Lei”. Da Lei. Humor negro total.
Tive que rir com ele.
A cor do escritório, que antes era bege com verde, agora era violeta com um azul bem suave, e sua antiga secretária, April, estava centrada no mesmo lugar que da última vez, mas agora parecia um pouco mais madura e seus cabelos agora eram castanhos. Usava um perfume dulcíssimo que parecia que eu estava respirando algodão-doce. Um tanto incômodo. Lembrou-me vagamente o cheiro da morte de vampiros. Aquela ideia ajudou em nada. Edward apertou minha mão em concordância.
- Bom dia. Posso ajudá-los? – nos cumprimentou.
- Sim, estamos aqui para ver o Sr. Scott.
- Vocês têm hora marcada? – o mesmo diálogo da última vez.
- Não, somos clientes prioritários.
- Ah, sim. Nomes, por favor? – ela perguntou enquanto postava suas mãos em cima do teclado do computador.
- Senhor e Senhora Cullen.
- Um momento, por favor – ela começou a digitar febrilmente – Tudo certo, vou solicitar o Sr. Scott.
Ela levou o telefone ao ouvido e discou um número. Um segurança vindo do nada apareceu ao corredor lateral, que dava acesso a sala de J.
- Sr. Scott. Temos clientes aqui.
Estou um pouco ocupado. J nunca mudou seus modos com a pobre April.
- Eles são clientes prioritários, senhor – ela falou com um pouco de vergonha na voz.
São os Johnson?
- Não senhor. São os Cullen.
Senti o nervosismo através do telefone. Deixe-os entrar imediatamente. Só atenderei qualquer outro cliente quando eles saírem entendeu? Nem mesmo que seja sua santidade, o Papa.
- Tudo bem, senhor – April desligou o telefone, fez um movimento com a mão e o segurança se aproximou.
- Sigam-me, por favor.
Seguimos o guardarroupa ambulante até a sala de J. Ao contrário de April, ele não nos ofereceu nada – na realidade, ele falou nada. Quando a porta se abriu, seguida com o tenor estressado de “Feche a porta, Gabriel”, vi que o escritório de J estava muito mais high-tech. A mesa era bem maior, quase uma de reunião. Uma enorme televisão de plasma nos saudava e refletia-nos, e as luzes eram azuladas, dando uma profundidade incrível. Se estivéssemos vendo através de um vidro, pensaríamos que a sala era um aquário gigante. Nossa atenção se voltou ao centro quando J falou.
- Bella, que prazer revê-la depois de tanto tempo! Você está deslumbrante como sempre – ele se levantou e se aproximou. Uma brilhante gota se suor escorregou pelo seu rosto, apesar do ar condicionado. Usava um elegante terno risca-de-giz sobre um corpo mais magro. Não havia dúvidas, o mundo de J estava bem melhor.
- Depois de tanto tempo, verdade. Esse é meu marido Edward.
- Que imenso prazer conhecê-lo Sr. Cullen. Finalmente nos conhecemos.
- O prazer é inteiramente meu, Sr. Scott – eles deram um aperto de mão. J arrepiou-se.
- Chame-me de J, como Bella me chama. Posso chamá-lo de Edward?
- Certamente.
- Sentem-se, sentem-se – ele foi atrás do muro que nos dividia e nós nos sentamos a sua frente, em cadeiras vermelhas enormes e confortáveis (pelo menos isso me pareceu). A próxima pergunta dele soou uma tensão tão evidente que ele se envergonhou e corou – Como vai o Sr. Jasper?
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