quinta-feira, 25 de agosto de 2011

22 – Rádio

22 – Rádio

A PERUCA DE TIA ESTAVA IMÓVEL E FALECIDA AO CHÃO FRIO, EN­quanto Benjamin voltava a consciência, depois das visões de Zafrina. Alice estava com as mãos no rosto, perplexa. Sem sua visão dos perigos que en­frentaríamos tudo que acontecia era duplamente horripilante. A surpresa nunca foi o hobby de Alice, ironicamente.

- Benjamin, controle-se! – gritou Edward, segurando-o pelas costas.

- Não! Tia! – ele ainda tentava se debater, mas a cada investida contra Edward, ele acertava uma árvore, graças às visões de Zafrina.

- Edward! – gritou Carlisle. Ele e todos os outros Cullen vinham cor­rendo até nós. Claire estava com uma expressão de dor – Edward, o que aconteceu?

- Jasper, acalme Benjamin, rápido! – Jasper flutuou até Edward e o clima ficou ameno e tranquilo.

- Ele está surtando – Jasper falou baixinho.

- Eu sei – retrucou Edward em resposta, soltando Benjamin – Carlisle, nós fomos atacados por lobisomens, quer dizer, não foi bem assim...

- Nós também! O que aconteceu aqui?

- A pressão ficou muito forte e nós ficamos presos...

- Culpa minha, desculpe... – falou Claire.

- Não se desculpe Claire; se você não tivesse feito isso, nós não conse­guiríamos escapar – consolou Carlisle – Continue Edward.

- Quando a pressão voltou, os lobisomens atacaram e levaram Tia.

- Meu deus! – exclamou Esme.

- Quando nos separamos, percebemos que estávamos sendo seguidos. Tivemos que desviar uma parte do trajeto e fomos parar aqui nessa floresta, só que havia lobisomens e eles nos atacaram. Claire ficou nervosa, nunca ha­via lutado contra lobisomens, e tratou de tirar a gravidade, mas não só ao re­dor deles e sim, por quase toda a floresta – enquanto Carlisle relatava, Claire era fuzilada pelo chão – Fugimos e viemos parar aqui.

- Foi por isso que ficamos presos.

- Desculpe Edward, eu fiquei nervosa! Eles eram enormes e eu me des­concentrei. Quando percebi que tinha expandido por uma área grande demais, coloquei a gravidade de volta...

- Não se preocupe – interrompeu Edward – Então, tinha lobisomens nos seguindo também, e eles atacaram quando a gravidade voltou.

- A culpa é minha – falou Claire.

- Claro que não, a culpa é minha – remendou Benjamin, que permane­ceu calado durante a conversa, olhando o chão – Eu poderia muito bem ter nos protegido, mas fiquei tão chocado que não fiz o que deveria.

- Benjamin, não se culpe. Se tivermos que culpar alguém, devemos cul­par esses lobisomens.

- O que faremos agora? – perguntei com um déjà-vu; essa frase estava tornando-se um incômodo slogan.

- Temos que ir atrás de Tia, e podemos procurá-la ao mesmo tempo em que procuraremos Renesmee – disse Carlisle, e um calor subiu até minha ca­beça.

- Ótima ideia Carlisle – finalizou Edward.

- Ok, obrigado por isso Carlisle e me desculpem pelo meu jeito. Eu perdi a compostura e estou envergonhado – disse Benjamin ao se levantar e ajeitar sua roupa.

- Perdoe-me Benjamin – desculpou-se Zafrina.

- Não, você fez isso para ajudar e não...

- Tudo bem, tudo bem, tudo bem. Chega de desculpas – cortou Alice – Vamos nos mexer.

- Pegamos um táxi novamente? – perguntei.

- Acho melhor irmos andando mesmo. Já está ficando tarde e as pes­soas estão deixando as ruas – concluiu Edward.

- Você está bem Benjamin? – Carlisle tocou em seu ombro.

- Estou. Vamos, temos duas pessoas para encontrar agora, não é?

Apesar da tentativa de animação, eu não me senti nada confortável.

As ruas estavam desertas e se escondiam debaixo da névoa que pairava por todos os lados. A lua cheia nos seguia enquanto andávamos e a quietude era um pouco alarmante, fazendo tudo isso, o clima de um filme de terror per­feito. Filme de vampiros, que máximo! Os lobisomens que levaram Tia não eram assim tão inteligentes quanto pensávamos, apenas tiveram sorte, pois seus rastros estavam por toda a parte; o de Tia, que deve ter sido levada por uns três lobisomens, estava fazendo uma trajetória curvilínea. Praticamente um ziguezague pela cidade. Essa cidade provavelmente não era mais San­tiago, pois era litorânea. Descobrimos com uma placa que dizia a direção da praia. Os lobisomens estavam nos levando a algum lugar e eles eram bastante rápidos e ágeis, tenho que admitir.

- Nós poderíamos segui-los com muita facilidade – defendeu-se Alice enquanto passávamos por três casinhas amarelas, como pedaços de torta cor­tados, mas juntos. A floresta tinha ficado ao longe e parecia agora um bolo cor de breu achatado. As pessoas que estavam nas ruas olhavam-nos com cu­riosidade, porém continuamos andando e fomos esquecidos.

- É claro que poderíamos, mas Carlisle pensou a mesma coisa que eu. Isso pode ser uma armadilha – Edward falou.

- Quem quer que esteja por trás disso, pode estar usando os lobisomens como marionetes em seu plano. Devem estar pensando que correríamos ime­diatamente atrás de Tia e assim, eles poderiam estar nos esperando com algo, já que estaríamos tão eufóricos – completou Carlisle.

- Falou a voz da consciência e da razão – ironizou Alice.

- Argh! Cansei dessa peruca! – reclamei jogando a peruca em um tam­bor de lixo.

- Bella, isso é um disfarce! – disse Alice colocando as mãos na boca.

- Eles já sabem que estamos aqui, então pouco importa tudo isso.

- Urgh, certo – ela repetiu meu gesto e tirou sua peruca, jogando-a no lixo – Os aparelhos ortodônticos já eram mesmo, então não importa.

Todos jogaram suas perucas, barbas e outros adereços no lixo com muito agrado (as pessoas paravam de fazer o que estavam fazendo para apre­ciar nossa descaracterização; dois mendigos foram até as lixeiras e se divertiam com as perucas), menos Benjamin, que guardava a peruca de Tia como se fosse um tesouro inestimável. Edward também percebia isso mesmo sem ter acesso privilegiado à mente de Benjamin. Estava claríssimo. Quando dobra­mos a esquina, três táxis estavam estacionados no que parecia um ponto de táxi. Os motoristas estavam sentados em cadeiras de dobrar com um rádio ligado entre eles. Conversavam alto e nem pareciam cansados, sendo que já era bem tarde; seus uniformes estavam amarrotados e suados. Edward falou com o mais próximo, em espanhol e ele respondeu em um inglês carregado.

- Sim, eu e Sebastian falamos inglês, mesmo com nosso sotaque carre­gado – ele riu e apontou ao colega mais distante, que parou de conversar e olhou para nós. O outro tinha um olhar vago, com certeza sem entender nada.

- Que bom – Edward juntou as mãos – Em que cidade estamos?

- Concepción – ele respondeu com um tom de orgulho.

- Certo. Precisamos de três carros já que estamos em grande número.

- Sem problema. Para onde querem ir?

- Para falar a verdade, eu não sei dizer, só sei o caminho, entende? – Edward coçou a cabeça. Ele interpretava um humano perfeitamente. Um ator. Não, você não é um ator! Ele riu baixinho.

- Claro que entendo. Bem, podemos ir? – ele se moveu e falou em espa­nhol ao amigo, que aceitou o trabalho rapidamente.

Mais uma vez, tivemos que nos separar, mas o táxi em que estava eu, Ed­ward, Alice e Benjamin, ia à frente, guiando os outros. Edward sentou no banco da frente para poder ter uma visão melhor da rua.

- Senhor, vocês não tem medo de ficar na rua até essa hora? – pergun­tou educadamente Edward, tentando tirar a atenção do taxista.

- Não, para falar a verdade e nem está tarde, apenas as pessoas gostam de se retirarem cedo por aqui, pelo menos as dessa rua – ele olhou um casal de idosos que estavam do outro lado da rua; a velhinha tricotando e o velhi­nho tocando violão – Já estou acostumado com isso, e todos dessa região nos conhecem, então, eu fico um pouco mais tranquilo. E, acima de tudo isso, eu tenho que trabalhar, não importa a hora, não é? – ele sorriu e olhou para Ed­ward, que respirava profundamente, tentando achar o rastro dos lobisomens.

- Claro que sim – ele retribuiu o sorriso e voltou-se para a cidade que passava rapidamente – Vire a esquerda, por favor – a esquerda era uma rua que margeava a praia deserta e serena, com uma lua enorme e brilhante no seu fundo. As casas tinham ficado ao longe e a extensão da praia aumentava à medida que avançávamos.

Durante algum tempo foi assim: Alice olhando para as unhas, Benjamin olhando desesperadamente pela janela e fazendo o ar entrar no táxi com mais facilidade, o taxista perguntando se estava tudo bem, Edward guiando o táxi pelas escuras ruas chilenas e eu cogitando lugares e situações onde Renes­mee estava. Essa rotina durou por mais quatorze minutos, vinte e oito segun­dos e setenta e sete milésimos de segundo até que o celular de Alice tocou, mas rapidamente a ligação foi cancelada. Quando ela retornou, a mensagem O celular está desligado foi ouvida por todos nós (menos o taxista, claro).

- O que será que aconteceu? – perguntou Alice.

Edward? É impressão minha ou o cheiro de lobisomem está muito mais forte?

- É verdade... – ele se virou para mim com o rosto amarrado e olhou através do vidro traseiro. Em seu rosto, o pânico, o medo e o desespero transpareceram assustadoramente.

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