20 – Magistral
- ARGH! ALICE, ESSA PERUCA É HORRÍVEL!
- Esse é o ponto. Pare de se mexer para que eu termine logo isso.
Todos estavam no quarto de Alice sendo “horripilados” pela própria, parte do plano de disfarces. Não poderíamos usar óculos escuros enormes, capas e penteados diferentes? Tínhamos que usar perucas, lentes de contato (que derreteriam de tempos em tempos), e até aparelhos ortodônticos (só Alice conseguia colocar minúsculos pedaços de ferro nos nossos dentes). Fui a última a ficar pronta porque fiz um escândalo quando vi Emmett, que foi o primeiro a ficar pronto com aquilo. Alice usava uma longa peruca cor de mel, enquanto ela ajustava a minha preta comprida. Estava fazendo um coque no alto da cabeça com dois palitinhos, estilo nipônico.
- Alice – perguntou Edward. Apesar de todo aquele aparato, ele ainda continuava lindo. Usava uma peruca loira estilo surfista, lentes de contato azuis, barba (estranhíssima) e aparelho – Esses projéteis de aparelho dentário não irão derreter?
- Vão, mas como são feitos de aço, demorarão o tempo suficiente.
- Eu particularmente acho isso uma enorme perca de tempo – reclamou Rose, que usava uma curta peruca vermelha.
- Concordo plenamente com você Rose – resmunguei – Poderíamos muito bem está indo ao Chile em vez de ficar aqui fazendo... isso.
- Não poderíamos, não. Já liguei para o aeroporto e o voo só sai daqui à uma hora.
- Argh, argh!
- Querida – perguntou Esme (querida? Eu queria matar Alice agora) – Onde você conseguiu essas perucas?
- Eu comprei claro, quando saí mais cedo. Não sou tão prevenida assim para ter perucas no meu closet. Se bem que é uma ideia.
- Oh deus! – joguei os braços para cima. Mais uma ideia patenteada por Alice Corporação – Zafrina, eu te invejo.
- Ah, desculpe Bella... – Zafrina não foi modificada por Alice. Primeiro porque suas roupas amazônicas já eram um bom disfarce. Segundo que ela simplesmente disse que não ia se sentir bem, Edward cochichou “não insista” sobre o ombro de Alice e pronto. Bam! Ela estava livre de tudo. Juro que depois de ir ao Chile, vou direto para a Amazônia.
Uma pontada de esperança boiava como um pontinho mínimo no oceano de preocupações; era inegável que, mesmo sem ter absoluta certeza do paradeiro de Renesmee, ter uma luz no meio da escuridão das minhas incertezas era bastante reconfortante. Uma chama de isqueiro dentro de um iceberg; não chegava a resolver algo nem ser confortável, mas dava forças para continuar. E com cada um que estava ao meu redor desse avião fatídico, eram como mais isqueiros que lutavam para derreter aquele – até o momento – imbatível iceberg (será que não era a geleira toda?).
Durante todo o trajeto, coloquei minha mente no modo Piloto Automático. Fechei minha mente, o que fez Edward estranhar, mas não contestar; cerrei os olhos e vaguei. Vaguei por tantos lugares que nem percebi o tempo passar.
- Acho que esses disfarces não foram muito úteis, Alice. Nosso cheiro ficou por toda a parte, e não sei se você recorda, mas existe um deles envolvido em tudo isso que deve estar nos vigiando – enfatizou Edward aos sussurros.
- Tá, tá, tá. E eu não sei se você recorda, mas eu disse que eles eram apenas para atrasá-los, ok? – contra-atacou Alice.
- Humm. Isso nos atrasou mais que a eles – bufou Edward
Um minuto de silêncio se seguiu, mas percebi que a respiração de Edward se tornara mais profunda e concentrada – no Piloto Automático, conseguia ficar mais sensível as sensações a minha volta. Senti uma leve mudança na direção do vento, como se ele tivesse mexido a cabeça e olhasse para mim agora.
- Zafrina toque em Bella, por favor. Quero ver uma coisa... – seu tom era de curiosidade.
- Como assim? – senti sua respiração de aproximando.
- Crie uma visão. Tente.
Não ouvi mais nada. Somente senti a mão de Zafrina encostando-se à minha. Meu escudo estava em plena forma.
- É claro que está querida.
Congelei. Como Edward leu meus pensamentos se eu tinha fechado minha mente?
- É isso que eu estou me perguntando. Você fechou sim sua mente, mas eu consigo ouvir algumas coisas.
- Será que meu escudo está falhando? – choquei e falei alto demais. Algumas pessoas viraram-se para me olhar, mas felizmente, elas colocaram fones de ouvido. A única vantagem que eu tinha estaria danificada?
- Pelo o que eu estou vendo, não. Ao que me parece, você desenvolveu uma adaptação do seu escudo – ele me olhava com curiosidade.
- O que você disse Edward? – Carlisle perguntou.
- Acho que Bella desenvolveu outra forma do seu escudo.
- Como assim?
- Agora eu só estou ouvindo eu mesmo na mente dela, ou seja, só o que está se passando agora. Só consigo ouvir o que ela está pensando, o que está na mente dela agora, não no subconsciente. Ouço o que ela “fala” para si mesma, não o todo. Eu acho que ela consegue bloquear determinadas partes de sua mente.
- Impressionante! – Carlisle sorriu. Eu fiquei estarrecida liberei totalmente meu escudo.
- Eu não sei como fiz isso!
- Agora eu consigo ouvir tudo perfeitamente. Você estava super concentrada quando eu notei. Tente novamente.
Olhei para frente e as costas da poltrona me encararam de volta. Não sabia o que fazer, não tinha em que me apoiar para conseguir aquilo. Respirei fundo e entrei novamente no Piloto Automático. Consegui perceber levemente uma fina película encobrindo parte do meu cérebro. Tentei puxá-lo e ele obedeceu cegamente.
- Isso! Você conseguiu! – comemorou Edward. Senti-me aquelas crianças de três anos em que o pai solta foguetes só por elas chuparem o dedo, mas era realmente impressionante.
- Nossa, é incrível. Não sabia que podia fazer isso!
- Bella, nossos poderes vão se desenvolvendo ao longo dos anos. Você só tem cinco anos – estava certa com a história do pai, mas errei na idade –, seus poderem devem amadurecer um pouco mais, se é que isso é possível.
- Realmente incrível – concordou Carlisle.
- Ok; vou faz um teste – soltei meu escudo e Edward relaxou.
Quero que você diga o que eu estarei pensando. Quando eu “disser” valendo.
Edward apenas balançou a cabeça. Zafrina e Carlisle ficaram imóveis, analisando cada detalhe.
Valendo! Você não sabe o que eu estou pensando (Eu odeio essa peruca idiota e quero esganar Alice).
- É... Eu consegui ouvir “Você não sabe o que eu estou pensando” repetidas vezes. Qual era o teste?
- É sério, você não ouviu mais nada?
- Não...
- Eu tentei bloquear uma parte. Eu fiquei pensando “Eu odeio essa peruca idiota e quero esganar Alice” – ela bufou.
- Que incrível! Amor, esse seu poder pode ser muito útil!
- Muito útil mesmo – concordou Carlisle.
- Isso sim seria uma jogada magistral – finalizou Zafrina.
Um dos passageiros, um gordo que me lembrava J, estava atento a nossa conversa, e Edward falou para ele:
- Estamos ensaiando nossas falas.
O passageiro virou rapidamente o rosto e começou a ler um jornal.
Edward, você pegou a doença da sua querida irmã? Frisei isso tirando totalmente meu escudo, para que não tivesse dúvidas de que ele escutaria.
Eu realmente não sei quantas escalas tivemos e muito menos onde estávamos. (- Querida, estamos em... – Não quero saber! Avise-me quando estivermos no Chile, só isso!). Com tudo aquilo acontecendo, digo, toda aquela distração, o fardo parecia um pouco menor. Tinha uma teoria de que conseguia isolar uma parte do meu cérebro que estava desgastando-o há tempos. Tentei, mas não consegui isolar a solidão, pois não se isola a solidão. Ela já é por si só isolada. Isolada é praticamente um sinônimo de solidão. Enlouqueci.
Nenhum comentário:
Postar um comentário