quinta-feira, 11 de agosto de 2011

18 – Iâmbico

18 – Iâmbico

NON.

Essa foi uma das palavras que Jacob mais detestou escutar nos últi­mos dias. Mesmo Alice dizendo em outra língua, era claro o significado. A palavra “não”, que significa obviamente oposição a uma ideia, aqui pode ser resumida (se é que já não esteja resumida) com a seguinte frase:

- Você não vai para o Chile, Jacob. Ponto final – decretou Alice.

- Mas por quê? – Jacob choramingou.

- Não percebe que, se você for conosco, eu não enxergarei nada? Eu já não enxergo o futuro de Nessie, imagine se você for. Eu vou enlouque­cer!

- Alice, você sabe o que ela representa para mim, não me venha com esse egoísmo. Danem-se suas visões – ele falou com agressividade.

- Jacob, não é egoísmo. O mais importante agora é sabermos tudo que nos espera. Não sabemos quem a levou, nem o que quer – ela gesticulava as mãos com uma rapidez que eu acho que Jacob não estava acompanhando – Com certeza não é boa coisa, caso o contrário não mandariam um envelope sem remetente, com um micro pedaço de papel adornado por duas palavras-chave e o cheiro de Renesmee! Pense! Você ajudará muito mais não indo!

- Eu não vou aguentar ficar aqui de braços cruzados!

- Jacob – falei com a maior suavidade que consegui – Alice está certa.

- Não, não e não – ele cruzou os braços.

- Jake – fiz uma cara de espanto – Você está ouvindo? – coloquei a mão em uma orelha.

- Ouvindo o que?

- Seu lado autodestrutivo gritando! Você quer acabar com tudo? – de­pois dessa eu teria que pisar mais leve – Jake, por favor, eu sei o quanto vai ser horrível para você ficar aqui, eu também não aguentaria, – tinha que ser sin­cera; eu não ficaria – mas, faça isso por Nessie...

- E além do mais – completou Edward –, não podemos nos destacar tanto. Se você fosse, é claro que mais alguém da tribo iria junto, mesmo que você o obrigasse do contrário. Iríamos ser um grupo muito grande e podería­mos por tudo a perder.

- Mas...

- Eu sei Jacob. Eu sinto o mesmo – Edward leu os pensamentos de Ja­cob – Mas eu lhe garanto que vou fazer de tudo para trazê-la de volta.

- Todos nós – disse Esme.

- Tudo bem Jacob? – perguntou Carlisle.

Jacob fazia uma cara de dor horrenda. Eu sentia tanta pena que estava preste a gritar “Tudo bem, Jacob! Você pode ir!”, mas Edward flutuou para o meu lado e apertou meus ombros. A dúvida estava estampada na testa de Ja­cob.

- Argh! Tudo bem, droga! – ele levou a cabeça às enormes mãos – Mas corram, voem, façam o que for preciso para que ela esteja aqui o mais rápido possível.

- Obrigada Jacob – Alice pousou sua mão nele. Era minúscula e alva em contraste com aquela corpulência.

- Vou sair – ele suspirou – Preciso correr e deixar minha mente vagar pela floresta antes que eu exploda. Bella, vocês irão hoje, certo?

- Só vamos passar no lugar combinado de J, para receber os documen­tos, e pegamos o primeiro avião para o Chile.

- Certo, e... você acha que voltam em quantos dias?

- Isso eu não posso responder com precisão, Jake, mas será o mais rá­pido possível. Iremos nos esforçar ao máximo em tudo – dei um meio sorriso para ele, tentando confortá-lo.

- Claro, claro. Eu sei que irão – ele retribuiu com o mesmo meio sorriso – Agora tenho que ir. Quando eu voltar, quero que ela esteja me esperando... Onde está Seth...?

- Estará – prometi, mas ele não esperou. Não senti muita firmeza nessa promessa.

- Bem, mais cedo eu falei uma coisa que me deu uma ideia. Nós pode­mos ir disfarçados, não? – Alice estava radiante com a ideia.

- O que...? Ah, esqueça. Nós iremos disfarçados ou não? – nem quis lutar contra a força incontrolável de Alice. Ela deu uma espiadela no futuro por oito segundos e abriu um sorriso.

- Iremos.

- Argh, nem perguntarei em que vou me transformar. Deixarei sua mente surfar nas ondas da psicose, se é que elas já não tenham se afogado – contra-ataquei. Todos na sala riram.

- Que bom. Edward já sabe, se quiser, é só perguntar a ele.

- Mas Alice – falou Carlisle –, isso não ajudará muito. Pode haver vam­piros envolvidos, e nosso cheiro estará espalhado por toda parte.

- Não importa. Os disfarces são apenas para atrasá-los um pouco. Agora, se me dão licença, tenho uma armação para preparar – ela fez uma pequena reverencia a si própria e saiu para arrumar os preparativos de mais uma horrenda viagem (e ainda mais fantasiados, meu deus!). Eu já disse que Alice pagará por tudo?

- Você passou os últimos anos falando isso, amor – concluiu Edward.

Consegui ouvir Alice sussurrando iâmbico enquanto subia a escada.

- O que é iâmbico? – perguntou Zafrina.

- O sobrenome de Edward – gritou Alice do segundo andar – Iâmbico é sinônimo de irônico – um fato: o sobrenome é de família.


- Aquela minha ideia de atores ainda está de pé? – perguntou Edward, depois de ser estudada milimetricamente pelo maître do restaurante. Ele me encarou e ficou perplexo, sem fala, até que Edward deu um pigarro e ele voltou ao mundo real, pegou meu casaco e o paletó de Edward corando de vergonha por encarar uma mulher casada. Essa história de ser tão bonita ainda era uma novidade.

- Não, por favor, não.

- Quem sabe modelos? – Edward abriu um sorriso tão sínico que me deu nos nervos.

- Edward, já se passou um século e você ainda parece uma criança. Grande maturidade.

- Ok, desculpe-me Senhora Responsável Cullen.

- Claro Sr. Iâmbico Cullen – contra-ataquei, fazendo-o rir.

Tínhamos chegado mais cedo; estávamos ansiosos por esses documen­tos, já que, depois daqui, iríamos para o Chile. J chegou dez minutos depois de nós e estava muito bem vestido, o que agora parecia costumeiro.

- Atrasado? – perguntou enquanto se esgueirava para dentro da pe­quena sala.

- Não J, nós que chegamos muito cedo.

- Ah, certo. Boa noite, então – disse enquanto apertava minha mão e a de Edward.

- Boa noite J. Tudo certo com os documentos?

- Claro que sim – disse com um sorriso no rosto – Pegue-os e pode pro­var.

Ele me passou um envelope lacrado, azul e discreto. Abri-o e conferi com mais meticulosidade do que da última vez, o que fez J ficar bastante satis­feito. Os nomes Sofie Stuart e Michelle Jeunet ordenavam meus docu­mentos e de Claire, respectivamente. A perfeição era inegável, principalmente com um espaço de tempo tão curto.

- Está maravilhoso J – passei os documentos para Edward – E gostei muito da escolha dos nomes.

- Muito obrigado. Achei que sua irmã tinha um ar francês, por isso colo­quei esse sobrenome.

- Nossa J, você está certíssimo. Estou impressionada – tinha que elogiar o trabalho de J. Percebi que ele ficou um pouco mais a vontade.

- Está realmente impecável – concordou Edward.

- Muito obrigado – ele repetiu.

- Bem – abri minha bolsa e peguei o envelope com o restante da quan­tia pedida – Aqui está o restante J. Só temos que agradecer a você por ter feito isso em tão pouco tempo. Obrigada.

- Sem problemas – ele guardou o envelope sem conferir a quantia – Eu que tenho que agradecer. Vocês sempre cofiaram nos meus serviços... e há tanto tempo.

Dei uma rizinho em resposta. Há tanto tempo e nós nunca mudamos (ou pelo menos os outros Cullen que J conhece a tanto tempo)?

- Bem, temos que ir agora J – levantei-me.

- Vocês não ficam para jantar? – perguntou J.

- Já jantamos J, e estamos muito apressados – Edward seguiu meu exem­plo –, mas obrigado pelo convite.

- Claro J. Obrigada pelo convite.

- Já que não vão ficar para jantar, eu só lhes desejo uma boa sorte com sua filha e que, se precisarem, estarei as suas ordens – ele juntou as mãos, um ato que virou símbolo, e sorriu.

- Muito obrigada J. Qualquer coisa, nós saberemos lhe encontrar.

- Claro que sim, até mais.

- Até – falou Edward. Aquela formalidade era até plausível com J.

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