19 – Revista
- ALICE. JÁ ESTAMOS COM OS DOCUMENTOS. ESTÁ TUDO PRONTO? – perguntou Edward depois de sairmos do reservado e correndo para casa.
Não, vocês não estão prontos.
- Como assim?
Oh deus, você sabe... – hesitou.
- Sei o que?
Edward, os disfarces! Perca de memória recente, é?
- Ai, estava tentando esquecer isso...
É, deu certo, você está pegando essa doença da sua mulher. Eu sei que você está escutado Bella, por isso, muitíssimo obrigada – iâmbica, pensei e Edward concordou – Agora corram para lá. Temos que pegar o avião ainda pela madrugada.
- Você não vai fazer o que Edward viu na sua cabeça – desafiei Alice pelo telefone; estava rezando para que ela não exagerasse em nada – Eu sei me enganar bem, sabe.
- Não amor, ela vai sim exagerar – Edward me falou. Bufei.
Vou fazer bem pior se vocês não estiverem em casa no máximo em dez minutos!
- Onde você está?
Fui fazer compras.
- Compras? Como assim...
Voem!
- Argh! Estamos voando.
Literalmente.
Edward desligou os faróis e pisou no acelerador. Senti que meu estômago ficou no reservado de J e que ele estava comendo-o como prato principal.
Renesmee.
- Tudo está correndo bem – falou uma mulher com uma voz engraçada. Eu estava lendo uma revista de moda bem interessante na minha casa. Ela era tão linda, toda púrpura com móveis clássicos. Vintage, essa era a palavra que caracterizava tudo. Serenos quadros ordenavam todas as paredes, deixando a gravidade do ambiente menor. Parecia que Claire estava aqui... Claire? Quem é Claire? A claridade ali era tão perfeita, que parecia projetada para aquela casa. Minha amiga, uma mulher alta e bonita estava discando o número no telefone, quando chamou minha atenção.
Excelente. Ela está por perto? – indagou a voz do outro lado da linha. A voz me parecia familiar, mas eu não me lembrava de quem era.
- Está sim. Quer falar agora com ela?
Ah sim, eu quero muito...
- Você acha que é uma boa ideia? – a mulher se mostrou um pouco temerosa.
Tenho a mais plena certeza, pode colocá-la na linha, por favor? – seu tom era calmo, apesar de que sua voz emanava obediência.
A mulher colocou-me na linha e, com muito entusiasmo, atendi.
- Alô?
Renesmee! Você está bem?
- Olá, sim eu estou ótima. E você?
Estou bastante contente que você tenha aceitado vir conosco.
- Conosco? Mas você nem está aqui.
Você está certa – ele riu – Muito esperta você, mas essa mulher, sua amiga, é minha representante, você compreende?
- Ah, claro que sim. Eu queria agradecer por tudo isso.
Renesmee, nós que agradecemos. Você faz parte de algo tão especial que nem imagina, porém, ficará sabendo em breve.
- Nossa, que bom. Meu pai está com você?
Um surto de tensão surgiu no ar. A mulher pegou o telefone da minha mão rapidamente e falou.
- Desculpe-me – ela meio que tremia – Acho que me descuidei um pouco.
Não posso tolerar falhas, ok? Mais cuidado... Cuide disso e recoloque-a na linha.
Cuidar disso? Eu fiz algo errado com aquelas pessoas tão maravilhosas? Eu só perguntei pelo meu pai e...
Senti a felicidade emanando de cada poro meu. Cada célula gritava de euforia e paz. Eu estou tão bem, pensei comigo mesma. Tão plena e tão completa.
- Pronto – a mulher disse antes de me passar o telefone.
Renesmee? O que você havia perguntado mesmo?
- Eu perguntei algo? – como assim? Não tinha feito nenhuma pergunta...
Acho que não, desculpe-me. Devo ter ouvido errado. Então, eu espero ansiosamente nosso encontro.
- Você nem imagina o quanto eu também espero – ah, como era bom falar com ele.
Então até mais.
- Até! – passei o telefone de volta à mulher.
- Desculpe-me, isso não vai acontecer novamente.
Eu sei que não. Mas nunca se esqueça: total empenho à causa. Não me decepcione.
- Claro que não. Eu nunca o desapontaria. E obrigada por confiar em mim.
Não precisa agradecer. Cuide de Renesmee. Ela é a porta de todos meus planos se tornarem realidade; não que algum plano meu não tenha se fundado, claro.
- Posso fazer uma pergunta um tanto...
Impertinente? – ele completou. Sempre o achei tão inteligente...
- Isso, obrigada. Posso?
Claro que pode. Só não garanto a resposta.
- Ok. Você não acha que está indo longe de mais com tudo isso? Vale mesmo a pena todo esse esquema só para...
Tudo que eu planejo vale à pena – ele interrompeu-a – Medir esforços é para os fracos. Quando eu quero algo, nem deus deve me subestimar.
- Claro que sim. Desculpe se eu o incomodei.
Não, foi até divertido. Não se esqueça: olhos e ouvidos abertos. E trate de deixar eles perto de vocês. Eles são a porta de embarque do meu plano, infelizmente.
- Não se preocupe, não descansarei nem um segundo. Seu desejo é uma ordem. Apenas o cheiro é insuportável.
Eu devo imaginar – ele riu –, mas sacrifícios são exigidos. Não perca o foco do seu poder. Eu não sei o porquê de tudo isso, você já é tão bem treinada. Seus poderes já deveriam está em perfeito funcionamento.
- E estão. Apenas me descuidei um pouco, mas não voltará a acontecer.
Eu sei que não.
- Outra coisa. A menina não é imune ao poder da vidente?
- É, mas você não. Por isso precisamos daqueles... daquilo. Ligarei depois, ou ligue se precisar.
Ele desligou o telefone e ela suspirou. Olhou-me com um olhar alegre e disse:
- Você quer outra revista, querida?
- Não obrigada, ainda não terminei essa.
- Quando você terminar é só me pedir outra.
- Obrigada.
Ela sorriu e olhou os dois homens assistindo televisão ao lado, torcendo o rosto. O engraçado era que cada um estava em uma ponta do sofá, como se existisse uma muralha invisível entre eles. Acho que a aparência cansada era o que mais os diferenciava de mim e da minha amiga, mas eu tinha plena certeza de que eles não eram como nós. Suas roupas puídas manchavam o sofá e minha amiga também percebera isso, já que os fuzilava com os olhos frequentemente.
Virei a página da minha revista com uma alegria incontestável. Eu estava no lugar mais perfeito do mundo, com pessoas que me amavam e me queriam bem. Eu estava feliz.
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