domingo, 14 de agosto de 2011

19 – Revista

19 – Revista

- ALICE. JÁ ESTAMOS COM OS DOCUMENTOS. ESTÁ TUDO PRONTO? – perguntou Ed­ward depois de sairmos do reservado e correndo para casa.

Não, vocês não estão prontos.

- Como assim?

Oh deus, você sabe... – hesitou.

- Sei o que?

Edward, os disfarces! Perca de memória recente, é?

- Ai, estava tentando esquecer isso...

É, deu certo, você está pegando essa doença da sua mulher. Eu sei que você está escu­tado Bella, por isso, muitíssimo obrigada – iâmbica, pensei e Edward concordou – Agora cor­ram para lá. Temos que pegar o avião ainda pela madrugada.

- Você não vai fazer o que Edward viu na sua cabeça – desafiei Alice pelo telefone; estava rezando para que ela não exagerasse em nada – Eu sei me en­ganar bem, sabe.

- Não amor, ela vai sim exagerar – Edward me falou. Bufei.

Vou fazer bem pior se vocês não estiverem em casa no máximo em dez minutos!

- Onde você está?

Fui fazer compras.

- Compras? Como assim...

Voem!

- Argh! Estamos voando.

Literalmente.

Edward desligou os faróis e pisou no acelerador. Senti que meu estô­mago ficou no reservado de J e que ele estava comendo-o como prato princi­pal.

Renesmee.

- Tudo está correndo bem – falou uma mulher com uma voz engra­çada. Eu estava lendo uma revista de moda bem interessante na minha casa. Ela era tão linda, toda púrpura com móveis clássicos. Vintage, essa era a pala­vra que caracterizava tudo. Serenos quadros ordenavam todas as paredes, dei­xando a gravidade do ambiente menor. Parecia que Claire estava aqui... Claire? Quem é Claire? A claridade ali era tão perfeita, que parecia projetada para aquela casa. Minha amiga, uma mulher alta e bonita estava discando o número no telefone, quando chamou minha atenção.

Excelente. Ela está por perto? – indagou a voz do outro lado da linha. A voz me parecia familiar, mas eu não me lembrava de quem era.

- Está sim. Quer falar agora com ela?

Ah sim, eu quero muito...

- Você acha que é uma boa ideia? – a mulher se mostrou um pouco teme­rosa.

Tenho a mais plena certeza, pode colocá-la na linha, por favor? – seu tom era calmo, apesar de que sua voz emanava obediência.

A mulher colocou-me na linha e, com muito entusiasmo, atendi.

- Alô?

Renesmee! Você está bem?

- Olá, sim eu estou ótima. E você?

Estou bastante contente que você tenha aceitado vir conosco.

- Conosco? Mas você nem está aqui.

Você está certa – ele riu – Muito esperta você, mas essa mulher, sua amiga, é mi­nha representante, você compreende?

- Ah, claro que sim. Eu queria agradecer por tudo isso.

Renesmee, nós que agradecemos. Você faz parte de algo tão especial que nem ima­gina, porém, ficará sabendo em breve.

- Nossa, que bom. Meu pai está com você?

Um surto de tensão surgiu no ar. A mulher pegou o telefone da minha mão rapidamente e falou.

- Desculpe-me – ela meio que tremia – Acho que me descuidei um pouco.

Não posso tolerar falhas, ok? Mais cuidado... Cuide disso e recoloque-a na linha.

Cuidar disso? Eu fiz algo errado com aquelas pessoas tão maravilhosas? Eu só perguntei pelo meu pai e...

Senti a felicidade emanando de cada poro meu. Cada célula gritava de euforia e paz. Eu estou tão bem, pensei comigo mesma. Tão plena e tão com­pleta.

- Pronto – a mulher disse antes de me passar o telefone.

Renesmee? O que você havia perguntado mesmo?

- Eu perguntei algo? – como assim? Não tinha feito nenhuma per­gunta...

Acho que não, desculpe-me. Devo ter ouvido errado. Então, eu espero ansiosamente nosso encontro.

- Você nem imagina o quanto eu também espero – ah, como era bom falar com ele.

Então até mais.

- Até! – passei o telefone de volta à mulher.

- Desculpe-me, isso não vai acontecer novamente.

Eu sei que não. Mas nunca se esqueça: total empenho à causa. Não me decepcione.

- Claro que não. Eu nunca o desapontaria. E obrigada por confiar em mim.

Não precisa agradecer. Cuide de Renesmee. Ela é a porta de todos meus planos se tornarem realidade; não que algum plano meu não tenha se fundado, claro.

- Posso fazer uma pergunta um tanto...

Impertinente? – ele completou. Sempre o achei tão inteligente...

- Isso, obrigada. Posso?

Claro que pode. Só não garanto a resposta.

- Ok. Você não acha que está indo longe de mais com tudo isso? Vale mesmo a pena todo esse esquema só para...

Tudo que eu planejo vale à pena – ele interrompeu-a – Medir esforços é para os fracos. Quando eu quero algo, nem deus deve me subestimar.

- Claro que sim. Desculpe se eu o incomodei.

Não, foi até divertido. Não se esqueça: olhos e ouvidos abertos. E trate de deixar eles perto de vocês. Eles são a porta de embarque do meu plano, infelizmente.

- Não se preocupe, não descansarei nem um segundo. Seu desejo é uma ordem. Apenas o cheiro é insuportável.

Eu devo imaginar – ele riu –, mas sacrifícios são exigidos. Não perca o foco do seu poder. Eu não sei o porquê de tudo isso, você já é tão bem treinada. Seus poderes já deve­riam está em perfeito funcionamento.

- E estão. Apenas me descuidei um pouco, mas não voltará a acontecer.

Eu sei que não.

- Outra coisa. A menina não é imune ao poder da vidente?

- É, mas você não. Por isso precisamos daqueles... daquilo. Ligarei depois, ou ligue se precisar.

Ele desligou o telefone e ela suspirou. Olhou-me com um olhar alegre e disse:

- Você quer outra revista, querida?

- Não obrigada, ainda não terminei essa.

- Quando você terminar é só me pedir outra.

- Obrigada.

Ela sorriu e olhou os dois homens assistindo televisão ao lado, tor­cendo o rosto. O engraçado era que cada um estava em uma ponta do sofá, como se existisse uma muralha invisível entre eles. Acho que a aparência can­sada era o que mais os diferenciava de mim e da minha amiga, mas eu tinha plena certeza de que eles não eram como nós. Suas roupas puídas manchavam o sofá e minha amiga também percebera isso, já que os fuzilava com os olhos frequentemente.

Virei a página da minha revista com uma alegria incontestável. Eu es­tava no lugar mais perfeito do mundo, com pessoas que me amavam e me queriam bem. Eu estava feliz.

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