segunda-feira, 8 de agosto de 2011

17 – Sublimação

17 – Sublimação

- VAI MUITO BEM, OBRIGADO POR PERGUNTAR – EDWARD respondeu primeiro.

- E sua adorável filha?

Desmoronei. Não estava preparada para isso, mas Edward respondeu por mim.

- Nós precisamos de seus serviços por causa disso, J.

- Em que posso ajudá-los novamente? – apesar do medo desnecessário que J tinha, ele conseguia sorrir, mas suas mãos o entregavam. Era até divertido.

- O de sempre, J. Preciso de duas identidades e dois passaportes.

- Desta vez é para você? – ele me olhou com curiosidade – Eu me lembro bem de fazer os documentos de você Edward – Edward retribuiu a atenção com um sorriso.

- Não só para mim, para minha irmã também. E precisamos com muita, mais muita rapidez se for preciso.

- Essa rapidez, quanto tempo você tem em mente?

- Qual é o menos prazo que você conseguiria?

Ele pensou um pouco antes de responder.

- Bem, apesar de você ter me dado uma grande gratificação da última vez, desnecessária, eu resumiria, desta vez, vou precisar de um pouco mais do que aquela quantia, não me entendam mal – ele ficou vermelhíssimo.

- Claro que não J. Não se preocupe com o dinheiro. Só queremos ur-gentemente. E então, qual é o prazo?

- Se começarmos imediatamente, em doze horas estará tudo pronto, devido a facilidade do que você pediu e de sempre confiarem em mim.

- Claro J, nós confiamos em você cegamente.

- Ok, você tem as fotos? – ele juntou as mãos e as balançou. Perecia que estava rezando. A vantagem era que Edward estava comigo, e eu saberia de tudo que J estava pensando.

- Claro que sim – peguei uma foto minha e outra de Claire – Tome-as.

- Obrigado – ele começou a anotar algo em um grande bloco de papel à sua frente e, com um clipe, juntou as fotos ao papel e retirou-o desse bloco.

- J, pelo o que eu vejo, sua situação está bem melhor do que da última vez que andei aqui.

- É verdade, não? – ele olhou ao redor com orgulho e Edward deu uma risadinha – Os negócios estão muito bem, obrigado.

- Posso lhe fazer uma pergunta um tanto indiscreta?

Seu rosto passou por tantas cores, mas decidiu parar no branco.

- Claro que sim Bella – ele juntou novamente as mãos, agora para não parecerem que estavam tremendo. Edward, já lendo minha pergunta à mente, olhou logo para J esperando sua reação.

- Você não se incomoda em ganhar dinheiro com uma coisa ilegal?

Eu tenho quase certeza de que J já tinha ouvido, ou mesmo se perguntado aquilo, pois ele nem titubeou.

- Eu não vejo por esse lado. Eu não estou enganando o país, estou ajudando as pessoas. Bem, se elas forem boas ou más, não é meu problema e nem sou eu que vou julgá-las, estou certo?

- Eu entendo – disse Edward.

- Agora, eu posso lhe fazer uma pergunta um tanto indiscreta?

- Claro que pode – essa eu merecia.

- Para quê vocês precisam de documentos falsos? Se não quiserem responder, tudo bem...

Fiquei pensando em como responder aquilo de forma que J não tivesse um ataque do miocárdio fulminante.

- J, nós somos pessoas muito... influentes, podemos dizer assim – Edward respondeu – Esses documentos são apenas para nossa proteção, entende? Não se preocupe, não fazemos nada ilícito.

- Mesmo se fizessem, não é da minha conta. Tenho direito de fazer outra pergunta?

- Claro J, você tem um bônus – ele riu com minha resposta.

- Edward disse que precisavam dos documentos por causa de sua filha. Como assim?

Edward, explique, por favor. Encolhi-me na cadeira.

- Ela foi sequestrada, J – ele arregalou os olhos e seu coração disparou – As pessoas que as levaram mandaram uma pista donde ela deve está, mas desconfiamos de que eles podem nos interceptar, por isso precisamos de do-cumentos falsos. Não podíamos ir até lá, podendo ou não ser uma armadilha, declarando que somos nós.

- Ah, eu entendo perfeitamente. Se por acaso causei algum desconforto para vocês, minhas desculpas – ele falou olhando para mim – e meus pêsames.

- Não J, não se sinta culpado. É que eu ainda não me sinto completa quando penso nela.

- Ok, mas vamos mudar de assunto. Quais os nomes que eu coloco nos documentos?

- Esteja à vontade, J. Não me preocupo com os nomes.

Ele voltou a escrever na folha que tinha arrancado e pegou o telefone. Discou um número rapidamente e bradou.

- Tony? – J falou mudando de tom, fazendo-o ficar mais duro.

Quem é? – ouvi pelo telefone. A voz era monótona e calma.

- Sou eu, Scott. Preciso de mais um serviço.

Tudo bem, quais documentos?

- Carteira de identidade, passaporte e o básico.

Passaporte... Carteira... – consegui ouvir o som de caneta arranhando um papel.

- Já tenho tudo detalhado aqui, não precisa se preocupar.

- Ótimo, me poupa tempo. Qual é o prazo da vez?

- Doze horas, clientes prioritários.

Nossa, faz muito tempo que não temos um serviço nesse prazo, mas eu garanto que estará perfeito.

- Claro que estará. Mande Joanna agora aqui. Ela tem que pegar os papéis o mais rápido possível.

Dou três minutos para ela bater à sua porta.

- Ótimo. Até depois, então.

Até – e desligou o telefone.

- Tudo certo. Onde será o local do recebimento? Vocês sabem, eu não costumo entregar os documentos aqui. Prevenção – ele deu um meio sorriso.

- Muito obrigada, J. Poderia ser naquele restaurante da Union Lake que fomos da última vez?

- Certo. Ótimo lugar. Vemo-nos lá às... – ele olhou no relógio – onze?

- Excelente. Aqui – peguei a metade do dinheiro combinado e estendi até ele – Metade agora, metade depois?

- Claro que sim – ele pegou o maço e colocou em uma gaveta trancada.

- Muitíssimo obrigada J. Você não sabe o quanto está nos ajudando hoje e sempre.

- É só o meu trabalho – ele riu tenso, colocando as fotos e o papel dentro de um envelope amarelo.

- Mais uma coisa J. Como vai Max?

- Ah, eu não posso lhe responder. Ele se despediu há tanto tempo... parece que mudou de país, uma coisa assim. Dizia que não queria mais esse tipo de trabalho para ele.

- Ah, que pena, ele era uma ótima pessoa.

- Sem dúvida nenhuma – J fez um aceno para a porta.

- Nos vemos mais tarde – Edward estendeu a mão para J, fazendo-o arrepiar-se novamente. Fiz o mesmo e saímos, deixando um tenso J parado atrás da mesa, brincando com uma caneta.

Se nós o deixamos desse jeito, imagine o que Jasper fazia.

- Conte-me tudo que ele pensava! – perguntei eufórica quando já estávamos no carro.

- Ele já viveu muito, sabe. Já viu muitas coisas ruins, por isso ele sempre desconfia de todos seus clientes, mas é um bom homem. Ele pensava naquela pergunta que lhe fez da última vez. “Se você pudesse apenas me garantir que não pretende sequestrar a garotinha dos braços do pai, eu poderia dormir bem melhor essa noite”. Quando nós dissemos que ela foi sequestrada, ele pensou logo que você pudesse está envolvida – fiquei chocada com isso – Bella, não se zangue, se você soubesse tudo que ele viveu, também desconfiaria de todos. Ele se preocupa em nos agradar a todo o momento. Também sente uma aura diferente em nós, que o deixa em pânico, mas, negócios em primeiro lugar. Juro que não sei como ele ainda não deduziu que nós não somos humanos. Ele tem uma leve ideia, mas prefere se enganar.

- Nossa, mas podemos confiar nele?

- Claro que sim. Ele nunca nos trairia.

Pelo menos isso. Mas como ele pode pensar naquilo? Eu? Sequestrar minha própria filha? Pelo visto J conheceu o inferno para pesar em tudo aquilo.

- Sublimação! Rá! Essa foi ótima!

Nem tínhamos entrado em casa quando ouvimos a histeria de Alice.

- Qual é a graça? – perguntei para Edward.

- Eles estão dizendo que os sequestradores vão descobrir que nós podemos fazer sublimação.

- Sair da face sólida para o vapor?

- Isso ai. E realmente tem muita lógica. Sublimação... Tinha que ser coisa de Emmett.

- Bella, como foi com J? – perguntou Carlisle quando entramos na sala.

- Tudo correu bem. Os documentos estarão prontos hoje mesmo. E as malas?

- Você pergunta como se não soubesse – respondeu Alice – É claro que já estão prontas, nada comigo é pela metade.

- Jura? Nunca percebi isso! – todos na sala riram – Já faz séculos que eu sei disso Alice.

- Rá! – ela jogou a cabeça para trás – Não tem nem dez anos...

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