sábado, 27 de agosto de 2011

23 - Vagalhão

23 - Vagalhão

OLHEI PARA TRÁS E CONSEGUI VER: O TÁXI QUE NOS SEGUIA, ONDE estava Claire, Jasper, Zafrina e Rose, estava inundado de lo­bisomens. Eles estavam por todos os lados; desde cima do carro, até presos às portas. Eles não eram tão grandes como Jacob e companhia, mas eram es­guios e curvilíneos. Lobos bípedes com uma avançada coordenação motora, ou o próximo passo evolutivo dos lobos de La Push. Consegui ver o rosto de Rose, que estava no banco da frente, se petrificar e sumir, quando um dos quinze lobisomens entrou no campo de visão. Enquanto o bando tentava abrir o carro como uma lata de sardinhas, outros dois pularam na sua direção, com as garras de aço à frente, fazendo-o sair da estrada, bater numa árvore e explodir. Um deles tinha algo branco na boca.

Em meio a gritos, o nosso taxista deu uma freada brusca e manobrou o carro até que ele ficasse de frente aos restos mortais do segundo táxi. Ele nem precisou falar. O amigo dele estava morto no meio daquelas ferragens.

- Sebastian! – esperneou o taxista, com as mãos ao alto.

- Corra! Saia daqui! Rápido! - Edward disse com urgência.

O taxista abriu bruscamente sua porta e disparou na direção contrária do premeditado acidente, mas antes, titubeou em direção a massa de ferro e fogo. Corremos até bem perto do carro e lobisomens nos atacaram de todos os lados. Um enorme e preto cravou os dentes no pescoço de Edward, que puxou seu corpo, deixando somente a cabeça enterrada ali. Benjamin contro­lou a água do mar e empurrou os lobisomens para longe, mas, a cada lobiso­mem que abatíamos, dois surgiam em seu lugar. Alice corria para todos os la­dos, fazendo com que os desorientados lobisomens batessem um nos outros.

Consegui ver Jasper do outro lado do táxi lutando contra três lobiso­mens. Parte do seu rosto estava rachada, mas ele corria e esmurrava os lobos. Zafrina simplesmente ficou parada. Seu grande tamanho chamava a atenção, como uma lâmpada em que os insetos são atraídos, e os lobos, quando chega­vam perto de mais, lutavam um contra os outros; projeto de suas visões. Jas­per chegou perto demais dela e ficou preso em sua visão, mas estiquei meu escudo até ele e, em agradecimento, pulou num lobisomem que corria na mi­nha direção. Estava me sentindo o dia 31 de fevereiro, totalmente inútil e ine­xistente, quando três lobos agarraram-me e tentaram me arrastar, provavel­mente o que fizeram com Tia, mas eu consegui me desvencilhar e, segurando a cabeça de um, usei-o como bastão e o joguei contra os outros dois. Um con­seguiu desviar, mas Edward o pegou e achatou-o contra o chão. Enquanto eles me agarravam, consegui ver seus olhos enormes e pretos, que transpare­ciam uma áurea gargântua de sangue. Um dos lobos que me atacou tinha o cheiro de Tia e Edward me olhou em concordância.

- Edward, onde está Claire? – gritou Carlisle quando apareceu, arras­tando um lobisomem pelo asfalto.

- Eu não sei! – ele pulou sobre um lobo e chutou seu focinho.

- Benjamin! – foi o aviso de Carlisle. Edward e Emmett, que apareceu com um sorriso que dava para ver até de costas, voaram até Benjamin, for­mando um escudo entre ele e os lobos. Benjamin levantou os braços e uma rajada de vento veio do mar em nossa direção, trazendo consigo areia e pe­dras, que batiam nos lobisomens desavisados.

- Segurem-se! – gritou Benjamin; fechou os olhos e apertou contra o peito o último resquício da presença de Tia, sua peruca.

Uma estranha e imprópria inquietude surgiu no ar. Alcancei uma árvore e a abracei, sentindo que aquilo não ajudaria muito. Jasper que continuava es­traçalhando os lobisomens correu e segurou Esme, que estava oculta por um muro, e cravou os dedos no chão. Todos os outros fizeram o mesmo, mas eu continuei pateticamente agarrada à árvore. Foi então que eu vi como tinha errado feio. Uma onda enorme, com no mínimo quinze metros, vinha em dis­parada em nossa direção. Parecia que uma mancha negra que corria consumindo tudo. O vento continuava a nos empurrar e os lobisomens que estavam soltos voaram para longe, fazendo-os bater em uma grossa e gigante parede de pedra de Benjamin tinha conjurado, formando uma fortaleza em forma de caixa que conteria a água que viria a escoar, e evidentemente, destruir a cidade, mas outros ainda mostravam resistência e lutavam futilmente contra o vento. O resto do carro se chocou contra a parede e pedaços de ferro retorcido voaram para todas as partes. Ali estavam vampiros agarrados ao chão e lobisomens voando. O vento redobrou sua força e todos os lobisomens estavam colados a gigante parede ao fundo. Uns tentavam sair da parede onde o impacto seria maior, mas Zafrina iludiu-os e eles, em vez de saírem pela tangente, iam mais para o centro. A areia da praia fazia uma névoa que parecia uma tempestade e tornava a visão mais difícil.

O vagalhão chegou. Quando ia derrubar Edward, Emmett e Benjamin, que continuava com os olhos fechados, ela se abriu dividindo-se, e não os atingiu (no momento lembrei-me de Moisés e o Mar Vermelho), mas definiti­vamente nos atingiu. Ao que me pareceu, a sua força era equivalente a de um tanque de guerra, mas não fez efeito contra nós e sim contra os lobisomens. A onda bateu e os empurraram contra a parede que nem ao menos tremeu; seus corpos foram dilacerados. A árvore em que eu estava agarrada tinha sido ar­rancada junto com todas as outras e eu bati na parede do fundo com tanta força que senti minha cabeça rachar literalmente.

A água é um elemento incrível. É tão... frágil, nem parece ter um poder tão grande. É maleável e bastante refrescante, mas depois do que eu a vi com aquela fúria, nunca mais a subestimarei. A água, quando entram em estado de agitação intensa, ímpeto de violência ou furor e encontra águas igualmente nervosas, fazem um colapso tão destruidor que deve ser temida até mesmo quando é apenas uma simples e inocente gota d’água.

Depois de retornarem ao mar, o rastro de sua força era altamente visí­vel. Árvores estavam tombadas (a que eu agarrara estava partida ao meio; não sei se foi do impacto ou eu que a apertei demais), uma montanha de lama co­bria todos nós, e o táxi agora virara apenas cacos negros espalhados aleatori­amente pelo chão e enterrados na lama. Pedaços de lobisomem estavam em todos os cantos, inclusive no cabelo de Rose, que estava mais perto da parede, e no meu.

- Argh! Tire isso do meu cabelo! – gritou Rose enquanto se levantava ensopada. Levantei-me com dificuldade e corri até ela; um dedo estava preso em seus cabelos – Obrigada Bella – disse ela com cara de nojo – Enquanto eu viver vou lembrar-me do dedo de lobisomem no meu cabelo. Deixe-me tirar os restos do seu – ela apalpava meu cabelo e tirou algo que eu preferi não sa­ber o que era. Nossos cabelos estavam com um cheiro insuportável.

- Se vocês estivessem usando as perucas, seus cabelos tinham sido pou­pados – gritou Alice enquanto se levantava – Minha roupa está arruinada – era verdade; não só estava totalmente molhada como tinha um rasgo enorme – Lobisomens idiotas.

- Aposto que os vampiros que estiverem na Oceania conseguirão sentir o cheiro de lobisomem que essa água está levando – brincou Emmett, que estava totalmente seco. Parecia que apenas tinha sido pego pelo vento. Ed­ward e Benjamin também estavam.

- Invejo você agora Emmett – eu constatei – Queria estar seca.

- Nem me fale! – falou Rose.

- Tudo bem com todos? – perguntou Edward arrumando os cabelos.

- Tudo, eu acho. Mas onde está Claire? – Carlisle olhou para os lados mesmo sabendo que ela não estava aqui; pelo menos, não dentro dessa caixa gigante – Benjamin, obrigado, mas agora você pode descer esses... muros?

- Claro Carlisle – Benjamin apenas levantou a mão e as gigantes paredes desceram ao chão, com um ruído estranho, como se nunca tivessem existido. O resto da cidade estava intacto, como se não tivéssemos passado por ali.

- Alguém pode me dizer o que aconteceu? – reivindicou Edward.

- Não sabemos, estávamos seguindo seu táxi quando algo fez o carro balançar. Quando olhamos, os lobisomens saíram do nada e pularam no carro. Ai aconteceu o que vocês viram – explicou Rose.

- Não aconteceu nada com o nosso táxi. Vimos os lobisomens escondi­dos e pedimos para o taxista desviar do caminho, por isso demoramos um pouco – ofegou Jasper, abraçada a Esme – Vocês nem queiram saber como era o temperamento deles...

- Eu estou vendo. Apenas sangue e morte. E Claire?

- Não sabemos Edward. Ela estava no bando traseiro, do lado es­querdo... – falou Zafrina.

- O lado que os lobos atacaram quando empurraram o táxi? – averiguou Edward.

- Exatamente – concluiu Zafrina.

- Humm. Eu acho que a consciência deles é diferente na forma de lobi­somem.

- Ou seja: zero! – ralhou Alice olhando para sua blusa e ajeitando os ca­belos.

- Intrigante – completou Carlisle.

- Ufa! Não sou a única pessoa com problemas com lobisomens aqui, não é? – falou Alice, jogando as mãos para o céu. Nele havia uma nuvem enorme que encobria a lua e, a uns três quilômetros, uma nuvem de fumaça subia ao céu, exatamente como um enorme dedo apontando um sinistro lugar. Não dava para ter certeza, mas eu achava que a cor da fumaça era um símbolo que não era oportuno naquela hora: um roxo penetrante e escuro.

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